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“A cada 12 segundos uma mulher é violentada no Brasil e a cada 2 horas, uma é assassinada. Em sua maioria são crianças e adolescentes, e 80% de seus agressores são pessoas “amadas”: parentes, namorados, maridos e amigos.

[…] 85% a 90% das mulheres violentadas no mundo não denunciam seus agressores. O silenciamento e a invisibilidade prevelacem.” (Jeff Vasques)

Há pouco mais de quinze dias, em um ato político e corajoso, a companheira Moíra publicou o estupro que sofreu quatro anos atrás. O estuprador se chama Vladimir Félix Pacheco, graduado em Geografia pela Universidade Federal da Bahia e trabalha no IBGE. 

O estupro ocorreu na casa dele após uma noite de festa e algumas pessoas terem dormido na sua casa. Na época, o estuprador tinha uma namorada que também dormia na casa.  A violência foi silenciada por muito tempo, como ocorre na grande maioria dos casos. A vítima se cala diante do temor, das implicações físicas e psicológicas.

O processo histórico de coação o qual sofrem as mulheres, forjadas socialmente como o indivíduo frágil, relegadas às tarefas domésticas e subservientes aos homens é responsável por reprimir as potencialidades históricas das mulheres. Esta construção social tem consequências  perversas. Uma dessas, por se configurar uma barreira por vezes intransponível dificulta e/ou impede a insurgência da mulher diante das opressões. No entanto, Moíra fez a diferença, expôs a situação dando voz e força a milhares de mulheres vítimas de estupro no país.

Ao tornar público esse crime, algumas garotas também se posicionaram relatando os casos de abuso sexual já cometidos por Vladimir Félix Pacheco. Infelizmente, esses casos ainda estão restritos às conversas privadas, muitas vezes apenas entre mulheres, afinal sabemos como os opressores agem deixando marcas em suas vítimas ao ponto dessas não conseguirem falar sobre o ocorrido e muito menos denunciar.

Além disso, a justiça burguesa evidencia o quão desprotegida estão as mulheres vítimas de assédios e estupros. Denúncias de estupro prescrevem em seis meses, tempo que não se mostra o suficiente para o processo de reação das vítimas.

Isso afeta a vida das mulheres de maneira tão cruel que no espaço público (pelo simples fato de não poderem, por exemplo, circularem nas ruas sozinhas, ou seja, sem uma figura masculina) e no privado (com pais, irmãos, companheiros ameaçando e/ou as violentando) vai deixando marcas em suas vidas. As agressões sejam elas verbais, físicas ou psicológicas mudam a vida de tantas mulheres,no Brasil e no mundo, porque é uma rotina de violência.

Falamos violência, porque o “psiu, gostosa”, nas ruas, e até mesmo o ” você precisa emagrecer. Esta gorda e feia” (geralmente no âmbito mais íntimo) são formas de agressões expressas em locais diferentes e por pessoas distintas, mas que não deixam de machucar e agredir. Sim, senhores, são maneiras de violentar!!!!  Entretanto, acreditamos que é nossa tarefa revelar e denunciar tais práticas na tentativa de ajudar a expor os agressores e fazer com que tantas outras se identifiquem e encorajem, assim como fez a companheira Moíra, para que outras mulheres não tenham de ficar o resto de suas vidas “pedindo licença” para existir.

Sabemos que o machismo, enquanto produto do sistema patriarcal, não será superado nos moldes do capitalismo. A opressão à mulher alimenta ainda mais o sistema de exploração da classe trabalhadora, colocando-as numa posição de ganhar menos do que homens que ocupam os mesmos cargos. Uma mulher recebe em média 40% a menos do que um homem.

O crime foi exposto ao Coletivo Contra Corrente, há dois anos atrás, quando a companheira Moíra ainda militava na organização. O relato chocou a todos nós, e também encorajou outras companheiras a exporem os seus casos, inclusive expondo estupro e assédios no próprio coletivo que levou a expulsão de outros militantes do CC. Entretanto, nos limitamos, naquele momento, ao choque e a expulsão dos militantes. Pouco avançamos nas discussões e ações práticas em torno da pauta das opressões de gênero (e tantas outras). Foi preciso a exposição individual da companheira para que retomássemos a discussão de forma efetiva internamente.

Contudo, assumimos a crítica de termos nos omitido por tanto tempo a denúncia e o rechaço. Assumimos a crítica, na perspectiva de superarmos os equívocos que reproduzimos: desde às práticas machistas entre os militantes homens do coletivo, à omissão de nos colocarmos publicamente no combate ao machismo. Assumimos a crítica por não dar a cara e os nomes dos militantes expulsos por casos de machismo em diferentes níveis, são eles: Anderson Lobo, Matheus Sampaio e Bruno Novaes. Não devemos blindar os agressores ao passo que as vítimas continuam a temer. Infelizmente reconhecemos que é assim que a sociedade e, ainda pior, as organizações de esquerda vem agindo, ocultando aqueles que oprimem e se ausentando da luta junto às vítimas.

É preciso fazer da autocrítica aqui exposta uma luta contínua na superação destas e tantas outras opressões que se perpetuam e se agudizam na sociedade de classes – desde a naturalização à violência mais explícita. Expomos aqui a nossa intolerância a qualquer forma de opressão, e nos colocamos na mesma trincheira daquelas e daqueles que lutam pela destruição do patriarcado, da sociedade de classes e de suas mazelas.

Todo apoio a Moíra! Todo apoio a tantas outras mulheres que sofreram estupros e abusos de Vladimir! Todo apoio às mulheres, esta luta é de todas nós.

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A20141013101204pós mais de três meses de paralisação, diante do histórico processo de apassivamento das lutas, realizado pelo PT, PCdoB e, mais recentemente, Consulta Popular (Levante Popular da Juventude), através do DCE, muitos estudantes entendem que é natural um desgaste do movimento grevista estudantil. Enquanto isso, para nós que continuamos na luta, fazendo piquetes, paralisações, atos e ocupações, nos locais de estudo e nas praças, não há alternativa para a conjuntura de cortes nas verbas da educação senão a greve; outro fator que justifica tal mobilização é o fechamento do planejamento anual orçamentário, e o Governo Federal novamente afirmando que não haverá dinheiro para a educação neste ano. As conquistas históricas advindas de nossas lutas não serão suprimidas se houver a clareza de que somente retornaremos às nossas atividades com a segurança de que nossos direitos não serão cortados. Mesmo com a certeza de que a greve deve (e vai) continuar, colocamos aqui uma problematização:

Por que ela não segue tão forte quanto se espera?

Primeiramente, as razões nítidas do “campo governista”, ou seja, aqueles (as) que defendem e blindam ferrenhamente o governo Dilma de críticas, alegando que “a culpa não é de Dilma, e sim do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy”, fingindo não saber que Levy, ex-diretor do Bradesco, é convictamente um dos membros mais importantes do governo para assegurar que os banqueiros e financiadores de campanha terão seus lucros garantidos, independentemente de uma “crise econômica”. Tais defensores do governo alegam, ainda, que “criticar o governo é dar margem ao golpe da direita”, como se cortar verbas da saúde e educação, ampliar as privatizações no país e esmagar os direitos dos trabalhadores com, por exemplo, a PL da terceirização, o programa de proteção ao “emprego” (que reduz os salários em 30%, sendo 15% pagos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador) e as alterações brutais no seguro-desemprego, atendimento a saúde do trabalhador e pagamento do abono salarial não fossem políticas de direita!

O primeiro elemento que podemos apontar para entender porque a greve não segue forte é, então, o processo de esvaziamento político das lutas na UFBA por parte principalmente dos setores governistas, que, além de falsearem a realidade, alegando “golpes de direita” que, neste momento, estão fora de cogitação, defendem os interesses dos patrões e governos para atacar a classe trabalhadora e precarizar a Educação Pública. Para esses, a greve é só mais um espaço para afirmar o que o governo já diz “estamos sem dinheiro”, o que não é verdade visto que o governo não deixou de investir na educação privada! Pior do que falsear a realidade, é quando esses setores se colocam para burocratizar os espaços de luta e organização dos estudantes, fazendo assembleias não deliberativas ou deixando de estabelecer pautas para a greve.

As motivações para a greve não seguir forte acima colocadas já bastariam para explicar porque o movimento anda tão esvaziado. Há, contudo, outras explicações: alguns (mas) lutadores (as), inseridos (as) inclusive no seio da própria esquerda, que, na pressa de “nacionalizar a greve a todo custo”, mesmo com um cenário incipiente de universidades paralisadas e/ou mobilizadas (16 de 64, o que representa somente 25%), acabam repetindo vícios de um ciclo de movimento estudantil que desejamos enterrar, isto é, práticas de representatividade, personalismo e movimentos superestruturais de direção, como a criação de instrumentos nacionais de mobilização que não são síntese de um movimento amplo e massivo – portanto reconhecido e exigido por todos (as) –, e sim da necessidade urgente que paira apenas sobre a cabeça de uma parcela minoritária de estudantes.assistencia1

Eles (as) perdem-se, consequentemente, daquilo que faz uma greve ter força: ação direta – bandejão, piquete, panfletagem, atos locais –, potencializar a luta nos seus locais de estudo (debates, assembleias recorrentes, troca de análises das pautas entre os cursos), acúmulo maior sobre as pautas históricas dos estudantes da Universidade (ampliação das fichas e diminuição do valor do RU, ampliação da frota do BUSUFBA, aumento de vagas na creche, aumento do valor das bolsas de assistência estudantil, entre outras). Através das ações nos cursos, da ação direta, da formação política e do trabalho de base, podemos  agitar, debater as pautas e pressionar a reitoria por respostas concretas, e num movimento crescente, impor a reversão dos cortes! Na própria marcha de Brasília, os estudantes da UFPR e da UFAL defenderam a tese de que não era o momento de nacionalizar a luta, mas de focar a atuação nos locais para mobilizar e potencializar a greve. Esse é o movimento que acreditamos ser o mais adequado para fazer com que a greve tenha força e que reverta os cortes que o governo fez.

Depois de um hiato de participação na militância da UFBA, nós, do Coletivo Contra Corrente, estamos retomando nossas ações, priorizando os locais de estudo e de trabalho. Entendemos que o processo de reorganização do movimento estudantil está em curso, gerando vários produtos que são importantes para as poucas lutas que estamos conseguindo fazer nos últimos tempos. O intuito é retomar e avançar no acúmulo histórico que temos e uma das conclusões necessárias de reafirmar é que  luta é a única forma de barrar e reverter os cortes! É com independência do governo, autonomia em relação a partidos e organizando a luta em cada local de estudo que enfrentaremos os ataques do Estado que, claramente, estão a serviço do capital e contra os trabalhadores e estudantes. É preciso avançar nas pautas, garantir uma mobilização permanente nos nossos locais, para não “partirmos do zero” em outros momentos de ascenso, como temos a impressão de estar fazendo sempre. É necessária Articulação Nacional? Sim, mas partindo de uma demanda real de todos (as) os (as) estudantes! Queremos nacionalizar a greve, mas estamos juntos daqueles e daquelas que fazem trabalho na base cotidianamente, e não em movimento de direções nem defesa do governo!

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Estamos em um período em que há bruscos cortes orçamentários na educação. Desde o anúncio do corte inicial, de R$ 9,4 bilhões, até agosto, já são mais de R$ 12 bilhões[1], e isso é mais uma demonstração de que o atual cenário é grave, colocando em risco a existência da universidade pública. A falta de recursos potencializa a precarização e o sucateamento das universidades. O que fazer? A reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) busca, enquanto saída para essa conjuntura de restrições, acordos realizados junto a Secretaria Executiva do MEC, cuja finalidade é a solicitação de liberação de recursos adicionais. Isto é, suplementação orçamentária[2].

Desde a década de 80, com as chamadas “câmaras setoriais”, um dos instrumentos de luta da classe trabalhadora, a greve, se tornou mero aspecto de conciliação, firmada em acordos de cúpulas entre burocracias do estado, ministérios, representantes de sindicatos e de movimentos sociais, fragilizando a luta e cooptando aqueles que deveriam lutar para não terem seus direitos retirados. Isso porque, com esses vícios políticos baseados na relação de conformidade com o Estado e governos, grande parte dos movimentos de luta tornou-se dependente. É preciso lembrar que historicamente os direitos foram conquistados através de muita luta, como a redução da jornada de trabalho, aumentos de salários, política de previdência social, garantia de melhores condições de trabalho e de estudo etc.

Estamos cansados (as) de ilusões! Longe de resolver a situação que estamos vivenciando na educação, em geral, e na UFBA, em específico, esse tipo de saída emergencial, baseada em acordos com ministérios, não irá garantir por muito tempo o pleno funcionamento da universidade. Isso não resolve o nosso problema! Resolve de forma imediata as condições de infraestrutura para o funcionamento da UFBA, que tem em torno de R$ 9 milhões de custo para manutenção mensal[3]. Com o valor limitado e específico que poderá ser recebido pela UFBA, caso se concretize a suplementação orçamentária, o acordo tem prazo de validade. Mais cedo ou mais tarde, enfrentaremos o mesmo problema. Afinal, o ajuste fiscal continua em curso!

NENHUM RECURSO A MENOS PARA A EDUCAÇÃO, A LUTA TEM QUE SER POR INTEIRA CONTRA O CAPITAL E SEUS GOVERNOS QUE ATACAM A CLASSE TRABALHADORA!

Coletivo Contra Corrente

[1]          http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/06/1639792-com-corte-em-orcamento-mec-vai-reduzir-bolsas-e-repasse-para-obras.shtml

[2]          O que a UFBA está fazendo para enfrentar as restrições de orçamento? Disponível em  <http://www.proplan.ufba.br/node/348&gt;

[3]             http://www.tribunadabahia.com.br/2015/08/07/com-dificuldades-financeiras-ufba-pode-parar

A nova onda de greve nas universidades federais que cresce pelo país não acontece por acaso do destino ou fruto de mais uma campanha salarial por parte de professoras/es ou das/dos trabalhadoras/es do setor técnico e administrativo. O mês de Maio foi marcado por mais um anúncio de corte para a educação (R$ 9,423 bilhões de reais[1]) e as universidades, que já faziam ginástica para conseguir pagar suas contas, se viram na situação de ter que se gerenciar com o orçamento mais enxuto ainda. Não conseguiram.

O primeiro grupo atingido foram as/os trabalhadoras/es terceirizados. Em diversas federais do país, os acordos com as empresas sanguessugas terceirizadoras não foram cobertos, e estas deixaram de pagar suas/seus trabalhadoras/es. A ameaça de não renovação de contrato, de redução de verbas para as próximas licitações já ameaça o emprego de milhares de terceirizadas/os pelo país. Declarações recentes[2] do recém-eleito reitor da UFRJ (maior federal do país) já coloca em xeque o orçamento das universidades a partir de Setembro.

Diante de tudo isso, as/os terceirizadas/os pararam. As/os estudantes, apoiadas nas suas históricas pautas (como bandejão e bolsas de auxílio) abraçaram a pauta das/dos terceirizadas/os e fizeram atos, ocuparam reitorias, como foi o caso da UFRJ e da União. Somado a paralisação das/dos terceirizadas/os, docentes de 18 universidades federais já pararam devido às péssimas condições de trabalho e ao anúncio de que o cenário só tende a piorar.

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Na UNIRIO, no dia 20 de maio, houve a assembleia geral das/os técnicas/os administrativos, no campus da reitoria, sendo deliberado greve e tendo a sua deflagração dia 28 de maio. No dia 25/05 ocorreu a assembleia geral dos/as professores/as, na qual a greve foi negada com uma diferença de 12 votos, sendo deliberado estado de greve. Os estudantes, em Assembleia Geral, realizada no dia 25 de Maio, deflagraram greve estudantil e estão ocupando o anexo ao bandejão que estava fechado sem utilização e a casa da bruxa, que é um espaço de convivência das/os estudantes da UNIRIO que foi fechado pela reitoria.  Com medo de que as/os estudantes ocupem a reitoria e que o movimento não se fortifique, o reitor aconselhou o cancelamento das aulas do CCH (Centro de Ciências Humanas s Sociais).

Na primeira semana de Junho, estão marcadas mais duas assembleias a das/os professoras/es e das/os estudantes da UNIRIO. A dos/as professores/as para indicar a entrada na greve e a dos/as estudantes para avaliar a greve estudantil.

Os estudantes não podem ser enganados. As consequências da crise não podem cair nas costas da educação pública, enquanto alguns setores continuam lucrando[3]. Enquanto a educação pública tem ajuste de 9 bilhões, a educação privada receberá mais de 15 bilhões para o FIES e a renúncia fiscal com o PROUNI ultrapassa 900 milhões. É no governo da pátria educadora que o orçamento é voltado para atender aos interesses do setor privado e cortar os direitos do setor público. Assim opera o Estado na sociedade capitalista: atende aos interesses dos burgueses e patrões, seja em sua forma ditatorial ou democrática.

 

Não abrimos mão!

  • Reabertura do bandejão Tarifa Zero!
  • Construção do novo prédio do CCH
  • Creche universitária
  • Concurso público para professores e técnicos administrativos
  • Assistência estudantil
    • Expansão das bolsas
    • Equiparação das bolsas com o salário mínimo

Referências:

[1] http://www.cartacapital.com.br/economia/ajuste-fiscal-governo-anuncia-corte-de-69-9-bilhoes-de-reais-do-orcamento-6830.html

[2] http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-05-09/situacao-e-de-crise-mas-o-que-fazer-com-alunos-diz-novo-reitor-da-ufrj.html

[3] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/05/1625227-bancos-privados-aumentam-lucro-com-juros-maiores-e-calote-estavel.shtml

Há um ditado que diz: “quem paga a banda, escolhe a música”. Olhando os dados divulgados pelo TSE, referente a origem das doações de campanha1 (ao menos, os recursos oficiais…) dos candidatos, constatamos algo assustador. Sempre na casa dos milhões de reais, as multinacionais da construção OAS e Odebrecht forneceram recurso para os três principais candidatos a presidência. O Itaú vem financiando o candidato do PSDB (Aécio), o Bradesco a candidata do PT (Dilma) e o Santander o PSB (Marina), sempre com recursos na casa dos milhões. Essa lista de financiadores é ainda maior, contendo administradoras de planos de saúde, mais bancos, mais construtoras, financeiras, empresas do ramo petroquímico, e etc. A tabela abaixo representa uma seleção das doações referente a segunda parcial (de um total de duas) das contas emitidas pelos candidatos a presidência e/ou seus órgãos de financiamento.

  PT/Dilma PSDB/Aécio PSB/Marina
Odebrecht R$ 3.000.000,00 R$ 3.000.000,00 R$ 1.570.000,00
OAS R$ 20.000.000,00 R$ 1.000.000,00 R$ 5.700.000,00
Braskem R$ 1.000.000,00
Andrade Gutierrez Construtora R$ 10.000.000,00   R$ 2.700.000,00
JBS S.A. R$ 15.000.000,00
MRV Engenharia e Participações S.A. R$ 1.000.000,00    
Vale R$ 1.500.000,00 R$ 500.000,00
Wtorre Engenharia e construções R$ 650.000,00    
Bradesco R$ 3.000.000,00 R$ 1.000.000,00
Itaú Unibanco   R$ 2.000.000,00  
Santander R$ 1.000.000,00
Votorantim   R$ 1.100.000,00  

Pela rápida análise da tabela já conseguimos responder quem, de fato, já é vencedor destas eleições: as poderosas multinacionais, ou seja, a burguesia.

As eleições nada mais são do que um circo onde se passa a falsa ideia de que estamos exercendo a mudança através da democracia. Reafirmamos que esta é a democracia burguesa, e a as fontes de financiamento de campanha só justificam o nosso pensamento, ou você acha que a OAS doaria quase 30 milhões de reais por mera filantropia? As diferentes empresas do país falam em crise, mas em tempos de eleição se apressam em “doar” milhões de reais aos diferentes candidatos.

O Estado e a sua disputa nada mais são do que a mesa de negócios da burguesia, em que ela utiliza suas ferramentas para se manter no poder. A sua manutenção passa pela exploração dos trabalhadores e tentar conciliar esta contradição nada mais é do que enxugar gelo: a contradição sempre estará lá, gritando, pronta para ebulir.

Dentro da democracia burguesa não existe e não existirá candidato que “responda aos anseios da classe trabalhadora”, por um motivo muito simples: não é através da democracia e das suas instituições (dentre elas o congresso) que acabaremos com a exploração dos trabalhadores. A burguesia já demonstrou o que faz quando se sente, mesmo que levemente, ameaçada pela sua própria ferramenta (o Estado), basta observar a ditadura militar no Brasil, a forte repressão ao movimento sindical do período anterior a 64 e, não indo tão longe, as absurdas prisões e processos judiciais a centenas de manifestantes durante e após as manifestações de Junho de 2013. Tudo isso é exemplo de como, quando lhe é conveniente, os dominantes jogam até mesmo a democracia e o tal estado de direito no lixo.

Deste modo, participar do processo eleitoral é cooperar com a democracia burguesa. É passar a falsa impressão aos trabalhadores de que conseguiremos implantar medidas avançadas (como a expropriação dos bancos, a taxação de grandes fortunas e tantas outras medidas agitadas pelas candidaturas da esquerda) através de pontuais candidaturas ao congresso.

Compreendemos que o momento atual é de direcionar nossa energia militante para o retorno às bases, para construção e consolidação de instrumentos que sirvam ao fortalecimento da luta dos trabalhadores, pois na luta é que reside o verdadeiro caminho para a libertação da exploração.

Por que votamos nulo? A resposta ao título do texto responde em parte esta pergunta: porque estas eleições já foram ganhas faz tempo pela burguesia, e as próximas também o serão: pois é no palco da democracia que a burguesia mantém o seu poder e ilude os trabalhadores através da “festa da democracia”.

Só a luta muda a vida.

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Em resposta necessária ao ataque do patronado e do Governo Federal contra o  Correio Saúde  e a tentativa ilegal de implementação do Postal Saúde, os trabalhadores em correios e telegráfos deflagaram greve geral por tempo indeterminado. Um calendário de lutas foi aprovado em plenária nacional e contava desde panfletagens entre os trabalhadores até assembleias para decretar estado de greve. Em alguns estados, porém, os sindicatos da categoria se esquivaram da tarefa de mobilizar os trabalhadores em seus locais, já mostrando de que lado estavam jogando: contra os trabalhadores e os direitos conquistados pela categoria.

Mas o que é o Postal Saúde?!

O Postal Saúde é um modelo privado de convênio através do qual a assistência à saúde deixa de ser um dever a ser cumprido e garantido pela empresa (portanto, um direito do trabalhador), para se tornar uma associação da qual o trabalhador é “livre” para aderir ou não. Quem financia o Postal Saúde são os associados, os trabalhadores. A forma do financiamento será definida em regulamentos ou Convênios que será estabelecida mediante o interesse da Empresa brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e das parcerias com setores privados de assistência à saúde, e não pelos interesses dos trabalhadores.

Antes, a forma de convênio se dava pelo Correio Saúde que tinha a natureza de “benefício de assistência médica, hospitalar e odontológica”. A ECT responsabiliza-se, nesse modelo, por prestar gratuitamente os serviços de saúde ou através de compartilhamento conquistado através dos últimos acordos e dissídios coletivos. O Postal Saúde não presta por si só os serviços de assistência à saúde, mas gerencia planos privados que a ele aderem. A ECT visa, portanto,  desvincular-se da responsabilidade de prestar esses serviços diretamente e para isso cria uma nova entidade: o Postal Saúde.

Em resumo, o objetivo da Empresa é cortar gastos com os trabalhadores e familiares e aumentar seu lucro.

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E na Bahia, como se deu o processo?

Os trabalhadores dos Correios da Bahia decidiram entrar em greve por tempo indeterminado no dia 30 de janeiro de 2014. Mais de cem trabalhadores compareceram à assembleia e passaram por cima da atual direção pelega do SINCOTELBA (Sindicato dos trabalhadores em Correios e Telégrafos do Estado da Bahia) – ligada à Articulação Sindical/PT – que estava e ainda se mantém do lado da ECT buscando, a todo o custo, evitar a greve. A Bahia foi um exemplo para outros estados, cuja direção do sindicato se recusou mobilizar os trabalhadores, mostrando que não era contra a implantação do Postal Saúde, porém a base se levantou contra essa decisão e decidiu assumir a luta por conta própria.

A direção do SINCOTELBA, porém, expondo seu rabo com a empresa e mostrando que dela é nada mais é do que colaboradora, fez de tudo para acabar com a greve legítima dos trabalhadores ecetistas  da Bahia.No dia 12 de fevereiro, foi realizada uma assembleia em Salvador com a presença de dezenas de pessoas não conhecidas pela categoria. Nos encaminhamentos, a direção do SINCOTELBA apenas perguntou quem gostaria de acabar com a greve. Sem colocar em votação a manutenção da paralisação, a direção encaminhou que, a partir daquele dia, os trabalhadores da Bahia voltariam ao trabalho no dia seguinte e  ficariam em estado de greve. UM GOLPE!        Ao final da assembleia, os trabalhadores que quiseram manter a paralisação fizeram um abaixo-assinado, reafirmando a necessidade de manter a greve e interromper as atividades do correios no estado. Além disso, no mesmo dia, houve uma assembléia em Feira de Santana e os ecetistas de Feira de Santana votaram pela continuidade da greve. Ou seja, a decisão encaminhada pelo SINCOTELBA NÃO REPRESENTA a vontade dos trabalhadores da Bahia, que, na  assembléia do dia 10 de fevereiro, rejeitaram uma proposta absurda apresentada pela Empresa.

Diante da necessidade de continuar em greve na luta contra a implementação do Postal Saúde, os ecetistas baianos organizaram um abaixo-assinado que reuniu mais de 630 assinaturas de trabalhadores de diversas cidades com o intuito de autoconvocar uma assembléia para definir os rumos da greve. Agora, trata-se de uma assembléia organizada pelos trabalhadores para defesa dos interesses dos trabalhadores, ou seja, os próprios ecetistas decidirão os rumos do movimento e não um grupo de infiltrados da direção do sindicato. Não bastasse enganar e dar um golpe na categoria, a direção do sindicato dificulta de todas as formas que os trabalhadores se organizem para autoconvocar uma nova assembléia: inicialmente, divulgaram que se tratava de um procedimento ilegítimo, uma inverdade para enganar os trabalhadores; em seguida, recusaram-se a convocar uma nova assembléia a pedido de associados; depois recusaram-se a receber a autoconvocatória e pediram para que a empresa fizesse o mesmo. As estratégias golpistas da atual direção do sindicato não deram certo, pois a assembléia foi autoconvocada seguindo a lei e o estatuto do SINCOTELBA e a ECT teve que receber os ofícios e a convocatória da assembléia geral.        

Mais do que nunca, é necessária a retomada da organização dos trabalhadores para combater o postal Saúde e combater aqueles que defendem essa política de privatização da saúde dos ecetistas que se trajam de sindicalistas, mas são na verdade capachos da empresa. É hora de denunciar aos quatro ventos os golpes da ECT e seus ajudantes! Os trabalhadores são contra o Postal Saúde e entendem que a greve é a maneira mais efetiva de impedir a retirada do maior benefício conquistado!

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Por isso, nós, da Intersindical e do Coletivo Contra Corrente, ao compreender a necessidade de se lutar por um direito legítimo conquistado pelos trabalhadores, viemos denunciar o processo de opressão e golpes que a categoria vem levando e que a Saúde do trabalhador não pode ser tratada como uma mera mercadoria que vise o lucro daqueles que detém o controle do acesso dos serviços, e declaramos TOTAL APOIO AOS TRABALHADORES, À GREVE DOS CORREIOS E CONTRA A IMPLANTAÇÃO DO POSTAL SAÚDE!!!!!

INTERSINDICAL: Instrumento de Luta e Organização da classe

Coletivo Contra Corrente