Movimento Estudantil – UFBA


A ideia de plebiscito não é nova no Brasil: o país já passou por diversas grandes consultas populares. A primeira das Assembleias Constituintes, por exemplo, foi instalada em 3 de maio de 1823¹ . De lá pra cá, passamos pela constituinte mais célebre entre todas – a que culminou na Constituição Federal de 1988 –, mas nós, do Coletivo Contra Corrente, afirmamos com veemência: pouca coisa efetivamente mudou.

O atual movimento “Plebiscito Constituinte JÁ!” esclarece que existe “para solucionar os principais problemas da sociedade – educação, saúde, moradia, segurança, transporte, terra, etc. –” e que, para isso: “é preciso mudar as ‘regras do jogo’, mudar o sistema político. Como não esperamos que esse Congresso ‘abra seus ouvidos’, organizamos um plebiscito popular que luta por uma Assembleia Constituinte exclusiva e soberana do sistema político”². Se analisarmos profundamente essas afirmações, constataremos uma controvérsia: é feito um plebiscito em que o povo decide o que deve melhorar e como quer que isso aconteça para… os políticos aprovarem! Bom, tratando com respeito quem toca essa política, diríamos que esse movimento é, no mínimo, ingênuo. Isso para não acusar os companheiros e companheiras de estarem usando da palavra de ordem e da boa vontade de quem foi às ruas em 2013 e realmente anseia por mudanças enquanto base eleitoreira do Partido dos Trabalhadores (e seus coligados tanto no Movimento Estudantil quanto no Movimento Sindical) para nos dar a falsa impressão de que “nossa voz está sendo ouvida”, “basta Dilma continuar no poder que ela aprovará o que queremos”.

Devemos explicar por que “reforma do sistema político” não deu, não dá nem nunca dará respostas às demandas da classe trabalhadora. O Estado “Democrático”, no seio da sociedade capitalista, nada mais é do que um comitê para gerir os negócios comuns da classe dominante³ . Assim sendo, todos que a ele se subordinarem terão de se adequar aos moldes da arrecadação de lucro a todo custo, do arrocho contra os trabalhadores e todas as formas de exploração e opressão que estes sofrem cotidianamente, a saber: machismo, racismo, homofobia etc. Em suma, apontar que “a mudança da sociedade virá por vias do Estado” é legitimar que nossas demandas serão efetivamente respondidas quando for da vontade dos grandes empresários, ou seja, somente quando for conveniente.

O que vemos, hoje, é o total atrelamento (como não poderia ser diferente) do nosso cenário político-partidário às burguesias nacional e internacional gerando com isso uma imensa descrença em toda a população. Embora todos saibamos que a situação e oposição (majoritária) do governo brasileiro joguem do lado das grandes corporações, ainda se permanece no jogo ideológico do “que vença o menos pior” ou “devemos disputar o parlamento, porque com uma mulher, um negro, um representante LGBT lá no congresso as coisas vão melhorar”. Ledo engano. Prova disso é como candidatura de militantes das causas das minorias veem seus projetos esbarrarem na falta de vontade política e, sobretudo, na negação e inviabilidade econômica dos grandes empresários, afinal, eles não hesitarão em frear toda e qualquer tipo de mudança advinda do Estado por via de suas burocracias (leiam-se os poderes legislativo, executivo e judiciário).

“Tá, mas qual é a alternativa?”. A luta por transformação da sociedade exige organização, exige atuação integrada no local de estudo, trabalho e moradia, consciência coletiva de mudança. Os locais de transformação da sociedade são as associações de bairro, centros acadêmicos nas universidades, sindicatos nos locais de trabalho e movimentos sociais nas ruas, para a luta direta, e não luta institucional! Todos nós sofremos na pele as contradições do sistema capitalista, e por este motivo não queremos “reforma do sistema”, e sim derrubada do mesmo, a fim de erguer uma sociedade livre da exploração e opressão do homem por outro homem e que nós tenhamos o poder de decidir sobre nossa vida sem precisar ter ninguém para referendar. Estamos na ordem, mas contra ela!

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¹ Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Assembleia_Nacional_Constituinte_do_Brasil

² Disponível em: http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/junte-se-ao-plebiscito-popular

³ MARX, Karl. Manifesto Comunista.

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É perceptível a falta de compromisso com os diversos estudantes da Universidade Federal da Bahia, e mais uma vez a reitoria revela a latente questão do descaso com o qual discentes são tratados por esta instituição.

Sabe-se que bolsistas e residentes há muitos anos se mobilizam indignados com a ausência de compromisso com as pautas e suas prorrogações intermináveis. Diante do cenário de distanciamento, inércia e da insensibilidade do reitorado (atualmente de Dora Leal) fizeram com que residentes e bolsistas alavancassem uma ocupação do CPD em Julho de 2013 a fim de denunciar descasos e exigir respostas concretas em detrimento das constantes burocratizações que demonstravam que a via institucional não era suficiente. É importante perceber que a ocupação do CPD foi uma forma de luta que revelou por onde puderam alcançar o que estava pautado.

No entanto, a reitoria continua não honrando compromissos e simplesmente negligenciando as pautas que se arrastam. A reitoria não cumpriu com os prazos e nem deu respostas as seguintes reivindicações:

  1. Reforma imediata e ampliação do RU Ondina atendendo aos 10 pontos referentes a estrutura e funcionamento do Ru exigidos pela vigilância sanitária; Além disso as reformas não foram efetivadas e o semestre 2013.2 já iniciou e o R.U continua fechado!!!

Prazo: 26 de julho de 2013

  1. Acessibilidade da frota do BUZUFBA

Prazo: 26/setembro

Informam que tais medidas dependem do parecer da procuradoria federal. Se responsabilizam pela fiscalização dos ônibus. Há um documento a parte que informa que serão 3 ônibus e 2 micros.

DORA

É preciso deixar claro que não estamos tratando de um problema pontual e casual, mas de um problema estrutural na concepção de universidade que está posta e outra que necessitamos. Como vemos os problemascom a Assistência Estudantil na UFBA afetam cotidianamente a quem mais precisa dela, portanto magnífica reitora: ASSIM NÃO DÁ! SEM ASSISTÊNCIA NÃO TEM COMO ESTUDAR!

Há exatos nove anos, acontecia uma ocupação na reitoria da Universidade Federal da Bahia. A pauta era local e, sobretudo, nacional: contra a Reforma Universitária, em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, e da ampliação do direito à educação a toda a sociedade, sem qualquer tipo de exclusão. Nessa reivindicação constava intrinsecamente a luta pela revitalização da universidade e pelo seu não sucateamento, decorrido para justificar privatizações; luta para que os estudantes pudessem ter refeições a preços acessíveis em restaurantes universitários; luta para que se tivesse mais professores efetivos e mais vagas; luta para que o plano de segurança da UFBA fosse efetivamente implementado pelo Reitor (na oportunidade Naomar Almeida); luta pela abertura a todos, ampliação e melhoria das nossas bibliotecas e a luta para que a educação continuasse a ser um direito assegurado a todos e não se tornasse um serviço, como pretendeu essa Reforma Universitária em curso na época.

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Cabe ressaltar que tal mobilização ganhou corpo a partir de manifestações anteriores realizadas pelos residentes e bolsistas de assistência estudantil, assim como na ocupação do prédio da Farmácia-escola, que durou metade do ano de 2006 e teve como motivo principal a incoerência entre o aumento da demanda por mais vagas em residências (assim como em creches, restaurantes, bibliotecas, etc) e a inércia e a insensibilidade do reitorado de Naomar para com o expressivo número de estudantes de todo o interior (e de outros estados) que são atraídos todos os anos para a UFBA, já que estamos no 5º estado mais populoso e um dos menos servidos por universidades públicas do país; e também em 2007, detonada pelas péssimas condições das instalações do então restaurante universitário do corredor da vitória que causaram, inclusive, um perigoso vazamento de gás e fizeram residentes e bolsistas alavancarem a ocupação da reitoria naquele ano para denunciar estes descasos e exigir respostas concretas em detrimento das constantes burocratizações que demonstraram que a via institucional não era suficiente, deixando claro que não estávamos tratando de um problema pontual e casual, mas de um problema estrutural na concepção de universidade que está posta e outra que necessitamos. Ambas as lutas foram fundamentais, por exemplo, para a conquista da única residência universitária da história da UFBA que foi projetada para tal finalidade, entregue ano passado. Hoje tais estudantes se veem novamente obrigados a lutar por avanços nos benefícios oriundos dessa (falta de) assistência – que são o mínimo de condições para sobreviver dentro da universidade –, que não atendem à comunidade como deveria. Como vemos, os problemas com a Assistência Estudantil na UFBA afetam cotidianamente a quem mais precisa dela.

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Como foi percebido em 2004 e também agora em 2013, a tentativa de se institucionalizar as pautas foi fracassada. Burocracias que são postas para obstaculizar tais reivindicações (CONSEPE, CONSUNI, reuniões fechadas com a reitoria etc.) mostraram-se mais uma vez ineficazes. As vias institucionais se esbarram continuamente em seus limites: atravancos e mais atravancos para se resolver fatos simples, porém que mexem na divisão financeira da autarquia, e por isso são tão silenciados e omitidos. A Magnífica Reitora, muito bem servida e alicerçada pelo atual DCE estático, faz vistas grossas e finge que nada está acontecendo, negligenciando o que vem se passando na Universidade Federal da Bahia nessa década de lutas, espelhando como o governo federal enxerga a universidade pública atualmente. Não quer dizer, contudo, que negamos absolutamente a via institucional, porém alertamos que levar o processo unicamente por essa via conduz todo o movimento à falência. É importante perceber que a ocupação do CPD já é uma forma de luta que mostra por onde podemos alcançar o que pautamos!

O atual movimento não deve mais esperar por soluções que virão de cima para baixo somente. Avaliamos que a política de Assistência Estudantil na UFBA é debilitada, porque vivemos numa sociedade desigual e assim o é também na universidade. Portanto, o Coletivo Contra Corrente apoia a luta dos residentes e bolsistas de Assistência Estudantil, afirmando que é instante, sim, de radicalização! Infelizmente está mais do que nítido que as instâncias burocráticas da UFBA não sabem atuar senão pela força de uma ocupação ou organização sólida de seus estudantes. Estaremos ajudando na construção do processo organizativo para conquistarmos incialmente as pautas aqui colocadas – referentes a melhorias na alimentação, transporte, hospedagem etc., todos com suas especificidades e desdobramentos – e depois o marasmo da política arcaica em nossa universidade.

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A implementação da REUNI na Universidade Federal da Bahia trouxe problemas que afetam não somente a um curso em uma universidade, mas a todos os cursos das universidades federais do país. O REUNI representa mais do que uma dificuldade de implementação na UFBA – representa um projeto de educação mercantilizada, de viés neoliberal, em que a centralidade está na redução dos custos do Estado com a educação superior e diversos outros serviços básicos para a produção e reprodução da vida como a Saúde.

Para se ter uma noção do que representa esse projeto neoliberal de educação, a partir do estudo de Leher (2010), observa-se uma redução do custo por estudante de 9,7 mil por ano para 5,0 mil por ano, em apenas 6 anos – uma redução de 50% – algo igual aconteceu nos países da Europa, mas lá demorou mais de 20 anos para se implementar (diferente daqui). Ao mesmo tempo em que as universidades, como a UFBA, recebem uma ajuda financeira para aumentar sua estrutura, número de docentes e de estudantes, é necessário cumprir com duas principais metas que afetam a formação de TODOS os estudantes da UFBA: 1) formação de, no mínimo, 90% dos estudantes que ingressam no curso; 2) mudança da relação do número de professores para o número de estudantes (antes a relação era de 12 para 1 e meta é atingir 18 para 1). A primeira meta ‘força’ as universidades a mudarem seu sistema de avaliação e estabeleceram quase uma ‘aprovação’ imediata – não é a toa que a UFBA, entre outras medidas, aprovou a redução de sua média. A segunda meta é fazer com que o número de docentes, em relação ao número de estudantes, atinja uma média similar a de faculdades privadas bem no estilo ‘fábrica de diplomas’; isso faz com que os docentes tenham mais trabalhos de ensino, deixando de construir atividades de pesquisa e de extensão. Em síntese, a meta é aprovar o máximo de estudantes em vez de produzir conhecimento e formar profissionais para atuar com qualidade na sociedade. Ao mesmo tempo, não há contratação de docentes e servidores técnico-administrativos suficientes para a demanda do aumento de estudantes e nem há construções de salas de aulas e laboratórios.

No curso de fonoaudiologia, os problemas se repetem quando observamos a realidade de outros cursos: faltam sete professores, fazendo com que uma série de disciplinas não possam ser ofertadas. Se houvesse esses professores, faltaria ainda sala de aula para efetivação dessas disciplinas já que estão faltando espaços para execução das aulas no ICS. Os problemas que afetam ao curso de fonoaudiologia são muito parecidos com os problemas que afetam ao curso de fisioterapia, ou seja, faltam docentes, salas de aula e laboratórios.

BANCO MUNDIAL + GOVERNO SUBMISSO

Entendendo os problemas do REUNI e da reforma universitária, historicamente, os estudantes da UFBA já se colocaram em luta contra as políticas neoliberais: isso aconteceu em 2004, nas mobilizações contra a Reforma Universitária; em 2007, na ocupação da reitoria contra a implementação do REUNI; em 2011, nas mobilizações causadas pela falta de docentes e de estrutura em São Lázaro e na UFBA em geral; e, mais recentemente, em 2012, na greve construída pelas três categorias (estudantes, servidores e docentes).

A partir do momento que entendemos que as mobilizações de Fonoaudiologia e de Fisioterapia são resultadas do processo de precariedade da universidade, defendemos também a necessidade de apoiar a organização e luta dos estudantes do ICS, principalmente de Fonoaudiologia e de Fisioterapia que lutam pela melhoria do seu curso e pela qualidade de sua formação. Acreditamos que a solução dos nossos problemas está na participação e luta dos estudantes por uma educação de qualidade e por isso nos somaremos a essa luta e convidamos a todos os estudantes para se juntarem a essa causa, defendendo uma universidade pública, gratuíta e de qualidade.

16 de maio de 2013

Coletivo Contra Corrente

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Dissidência ou a arte de dissidiar

“Há hora de somar
E hora de dividir.
Há tempo de esperar
E tempo de decidir.
Tempos de resistir.
Tempos de explodir.
Tempo de criar asas, romper as cascas
Porque é tempo de partir.
Partir partido,
Parir futuros,
Partilhar amanheceres
Há tanto tempo esquecidos.

Lá no passado tínhamos um futuro
Lá no futuro tem um presente
Pronto pra nascer
Só esperando você se decidir.
Porque são tempos de decidir,
Dissidiar, dissuadir,
Tempos de dizer
Que não são tempos de esperar
Tempos de dizer:
Não mais em nosso nome!
Se não pode se vestir com nossos sonhos
Não fale em nosso nome […]

(Mauro Iasi)

 

Este documento tem como objetivo apresentar o posicionamento do Coletivo Contra Corrente sobre o processo eleitoral da nova gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE, 2013/2014). Para isso, faremos antes uma breve análise – apontamos que há limitações –, sobre o momento que vivenciamos na UFBA e como as últimas gestões do DCE tem apresentado sua política para o Movimento Estudantil (ME) da Universidade.

O DCE corresponde à entidade de máxima dos estudantes da UFBA, responsável tanto pela representação institucional quanto pela organização dos estudantes em geral. A realidade do ME da UFBA ainda mantém-se atrelada ao direcionamento burocrático e superficial das lutas dos estudantes, e as eleições do DCE, esvaziadas de espaços políticos e sempre construídas as pressas – apontando o um fim em sim mesma –, são um reflexo também desse momento mais geral vivido pelo movimento.

O CC compreende que o ME e a sua organização devem partir das movimentações nas quais os estudantes são capazes de construir suas próprias lutas. Essas movimentações possibilitam o surgimento de condições necessárias para se pensar nas formas organizativas para o ME. Nesse sentido, resgatar as lutas diretas, o trabalho de base com perspectiva de atuação por local de estudo, a formação política permanente e a construção de um projeto histórico de superação da ordem vigente são as tarefas que temos no atual momento de organização do movimento dos estudantes.

A reprodução de velhas práticas políticas tem sido um obstáculo para a consolidação da organização em favor e construída pelas reais pretensões dos estudantes. Dentre essas práticas, podemos destacar três: i) o favorecimento da política de consenso a qualquer custo sem levar em consideração as causas dos problemas da educação e do modelo de sociedade em que vivemos, ii) tomadas de decisões partindo dos interesses das direções políticas,  sem diálogo com os estudantes e iii) burocratização – a partir, principalmente, da priorização da luta institucional em detrimento da luta direta. E é neste ultimo ponto que as eleições do DCE têm deixado de ser um possível espaço de discussão e tem se perdido no fim em si mesma.

É comum vermos na disputa eleitoral as chapas optarem pela pura agitação, se ausentando de uma análise mais profunda e qualificada dos problemas da Universidade. As gestões têm se colocado mais na defesa dos interesses das organizações que estão na direção da entidade do que nas reais necessidades dos estudantes. Normalmente, buscam atuar somente pela via institucional (CONSUNI1, CAE2, Congregações, etc) diminuindo a possibilidade de atuação dos estudantes nas mobilizações e atos. Quando participam destes, como, por exemplo, durante a greve, sempre se furtam de discutir profundamente as políticas educacionais implementadas pelo governo e tentam enfraquecer as mobilizações estudantis, encerrando os debates em cúpulas junto à reitoria.

Entendemos que o ME deve prezar pela coerência e pela atuação intransigente em busca de uma práxis3 consiga romper com as aparências de uma perspectiva de “capa revolucionária”, mas que não passa de uma confusão reacionária.

4, 3, 2, 1 … Eleição!

O que está sendo traçado no processo em curso para a escolha da nova gestão do DCE-UFBA não é o que defendemos para a organização do ME, pois já se iniciou reproduzindo diversos equívocos. Os problemas começam a ser evidenciados a partir do momento em que é finalizada a última gestão em um CEB (Conselho de Entidades de base – fórum que reúne CA’s e DA’s da UFBA) que não conseguiu apresentar um balanço da mesma, nem uma análise do último período – abarcado por mobilizações e greves (dos três setores) –, nem apontar qual o real momento e anseios que ME hoje.

Tal como nas últimas eleições, vemos um processo eleitoral construído às pressas, sem que os estudantes tivessem a oportunidade de se inserir nas atividades e legitimar a construção de um processo eleitoral. Entendemos que esse processo não trará respostas significativas aos estudantes. Por isso, acreditamos que é preciso, antes de qualquer coisa, retomar as atividades dos cursos, debatendo suas especificidades, sem esquecer as pautas gerais, aquelas que tangem a todos os estudantes, da graduação à pós. Tal empreitada não é fácil, nem será cumprida da noite para o dia, porém, é uma tarefa colocada para o ME que não pode mais ser negligenciada.

As eleições acontecerão nos dias 20 e 21 de março, e é necessário, nesse momento, apresentar uma breve análise sobre as chapas. O que vemos é a composição de chapas que representam a continuidade da política da última gestão, sendo as chapas 1, 3 e 4 o legado dos últimos anos do DCE/UFBA. Representam a continuidade da política porque não rompem com a perspectiva de ME burocratizado e afastado dos estudantes, pelo contrário, setorializam a luta em detrimento da compreensão das contradições reais da sociedade. Buscam manter-se omissos (ou muitas vezes contra) as críticas ao governo, vestindo as políticas neoliberais, destinadas para educação, com uma roupagem de acesso democrático e popular ao ensino superior, escondendo o sucateamento das universidades, a precarização do ensino e a expansão sem qualidade.

Nesse ano, compreendemos que a última gestão (2012-2013) está dissolvida em três chapas que são:

Chapa 1 (Viração) é composta principalmente por militantes do LPJ4 e do PT (a partir das correntes EDP5, EPS6 e OT7). A EPS e a EDP são gestão do DCE desde 2007; mudam-se as figuras, mas não se muda a política.

Chapa 3 (Rezafendo), é composta principalmente por militantes do PCdoB (UJS8) e do PT (CNB9).

Chapa 4, (Mobiliza UFBA), é composta principalmente por militantes do PT (a partir de O Estopim10; da corrente DS11).

Conforme feito com as chapas acima citadas, não deixaremos de fazer nossa análise da Chapa 2, que para o CC apresenta alguns elementos diferenciados.

Chapa 2 – (Amanhã vai ser outro dia), composta por militantes do PSTU, PSOL e independentes.

Para iniciar a análise da Chapa 2, é preciso antes apontar que não temos por objetivo, em nenhum momento, recuar ou colocar em controvérsias as anteriores análises que realizamos, o que  poderiam contribuir para colocar a Chapa 2 em uma bolha distante da nossa atual avaliação. Mas salientamos alguns pontos que diferencia a atuação desta das demais concorrentes.

Dentro dessa perspectiva, é a única chapa que apresenta propostas diferenciadas das demais, como uma análise crítica do REUNI e seus desastrosos impactos na educação, não descolando esta política do contexto geral vivido pela sociedade – de efetivação das políticas neoliberais e cortes de recursos para os setores públicos como saúde e educação. Não negamos que há limites que são colocados pela conjuntura do ME e por consequência, limites postos à própria eleição para DCE da UFBA. Contudo, reafirmamos a necessidade de coerência dos companheiros da Chapa 2, por defendermos, como já foi dito, que não será uma nova gestão do DCE que mudará os rumos do ME, porém, acreditamos que se caso eleita, pode vir a corresponder um novo período do ME UFBA, que esperamos que a história nos mostre ser um período mudanças positivas.

Não colocamos a Chapa 2 enquanto protagonista  das mudanças necessárias a reorganização do ME, inclusive por não acreditarmos que é por via do processo mecânico de direções que superaremos as atuais impasses vivenciadas nas universidades. Indicamos sim, que dentro da conjuntura atual, a chapa 2 aponta para um horizonte que possa contribuir de forma ainda incipiente para que os estudantes se coloquem em movimento e construam uma outra síntese transformadora da universidade.

A Chapa 2, nesse processo, é a única que visualizamos ter condições de fazer uma análise que possa apontar de forma combativa para os  problemas que o ME da UFBA enfrenta.

Por fim…

Acreditamos que a disputa da entidade deve ser feita em consonância com o processo de fortalecimento da luta e organização dos estudantes. A disputa institucional via eleições de DCE, deve ser uma opção para o ME organizado e não o seu caminho primeiro. Como já foi dito, eleger uma nova gestão para o DCE não trará soluções desejadas para o processo de organização do ME que pautamos. Defendemos que é preciso compreender a necessidade de nos colocarmos em ação para a superação do momento vivido, caracterizado pela desmobilização e apatia do ME e descrença na possibilidade de organização autônoma dos estudantes, reforçando o representativismo12.

Por isso, se faz necessário refletir sobre elementos importantes para o ME, tais como: a) perspectiva do trabalho de base junto aos locais onde nos inserimos, b) formação política permanente, c) construção do projeto histórico de superação da sociedade capitalista, pois os problemas que vivenciamos na Universidade não são gerados nela, são na verdade, produtos das contradições de classe vividas no seio da sociedade vigente13 e d) refletirmos sobre as possibilidades de organizar a luta e anseios dos estudantes (via DCE, C.A./D.A. e Executivas de Curso).

É a partir desta análise que prestamos apoio a chapa 2. Não convidamos os estudantes a votar e sim a refletir sobre o processo eleitoral como um todo, participando do ME, tornando-se sujeitos ativos na luta. Apontamos a necessidade de conhecer o programa das chapas sem esquecer o que historicamente esses grupos construíram na universidade, sem deixar de ter clareza do atrelamento das forças majoritárias no ME da UFBA ao governo, nem mesmo dos equívocos que companheiros da chapa 2 ainda reproduzem, mesmo se colocando numa perspectiva de luta estudantil diferente das demais chapas.

Se não pode se vestir com nossos sonhos, não fale em nosso nome”.

1 CONSUNI (Conselho Universitário)  - órgão máximo de função normativa, deliberativa e de planejamento da Universidade nos planos acadêmico, administrativo, financeiro, patrimonial e disciplinar
2 CAE – Conselho Acadêmico de Ensino

3 Práxis – grosso modo, ação concreta, prática aliada à teoria.

4 LPJ = Levante Popular da Juventude. É o principal espaço de atuação na universidade dos militantes do Campo da Consulta Popular.

5EDP = Esquerda democrática popular, corrente local do PT e é a principal força do “Ousar ser diferente”.

6EPS = Esquerda Popular Socialista. Corrente nacional do PT, resultado de uma recente ruptura com a Articulação de Esquerda.

7OT = O Trabalho – corrente do PT de linha teórica trotskista lambertista.

8 UJS = União da Juventude Socialista – desde 1989, é a direção da União Nacional dos Estudantes (UNE).

9 CNB – Construindo um novo Brasil, mais conhecida no ME por ser a principal força da “Flores de Maio”. Trata-se de uma corrente interna do PT e é juntamente com o PMDB e DS, uma das maiores aliadas da UJS em nível nacional.

10 Estopim é um campo local do PT. Surgiu como uma ruptura da OT em 2006 e continua atuado na universidade.

11 DS = Democracia socialista. É uma corrente nacional do PT e a principal força do grupo Kizomba. Juntamente com o PMDB e a CNB, é uma grande aliada da UJS em nível nacional.

12Representativismo é um conceito utilizado para tratar a crise do sistema de representação política, que significa a degeneração da representação com o aumento da concentração e acumulação de energia nos dirigentes, casado por um distanciamento do cidadão das construções políticas e deliberativas dos movimentos políticos, potencializando as decisões e o poder nas mãos dos representantes. O representativismo político traz como produto a canalização das lutas nas vias institucionais (instrumentos representativos), casado com o imobilismo, despolitização e a falta de formação das bases, que acaba por abrir uma lacuna entre representantes e representados, com isso hiper-dimensionando o papel político das representações e diminuído a importância das bases. (Ver: SANCHEZ PARGA, José. Democracia caudillista y desmovilizaciones sociales en Ecuador. Polis [online]. 2009, vol.8, n.24, pp. 147-173. )

13 Sociedade capitalista.

De 31 de Julho a 05 de Agosto, o Coletivo Contra Corrente organizará a realização do curso História das Revoluções. O curso é mais uma das atividades do ciclo de formação organizado pelo Coletivo, que teve início em Março deste ano com a organização do 4° ENFOP , Organização de turmas do CF 1 e 2, entre outras atividades.

O História das Revoluções faz parte dos cursos de aprofundamento organizados pelo 13 de Maio. É um curso que trás os participantes para dentro de três revoluções que ocorreram no mundo, a Russa, a Chinesa e a Cubana. Discute conceitos como: situação revolucionária, padrão de luta de classes, organizações revolucionárias, vias para a construção do socialismo. Duração 50h

Para poder participar do curso é necessário ter assistido anteriormente aos cursos Como Funciona a Sociedade I e II ou ao de aprofundamento em Economia Política. O Curso será realizado em Salvador, ministrado pelo monitor Jacaré e dispõe de 40 vagas.

Para mais informações entrar em contato com o Coletivo Contra Corrente.

Ccontracorrente@gmail.com

Cursão C.C

Saiu a primeira edicação do Antítese.

Nesta primeira edição uma síntese do processo de Greve na UFBA!

Para ler Online: http://www.slideshare.net/contracorrente/anttese?from=share_email

Para Baixar: https://docs.google.com/file/d/0B4-KVHgu2W1caHlhSlRFUUJTNW8/edit?pli=1

 

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