A nova onda de greve nas universidades federais que cresce pelo país não acontece por acaso do destino ou fruto de mais uma campanha salarial por parte de professoras/es ou das/dos trabalhadoras/es do setor técnico e administrativo. O mês de Maio foi marcado por mais um anúncio de corte para a educação (R$ 9,423 bilhões de reais[1]) e as universidades, que já faziam ginástica para conseguir pagar suas contas, se viram na situação de ter que se gerenciar com o orçamento mais enxuto ainda. Não conseguiram.

O primeiro grupo atingido foram as/os trabalhadoras/es terceirizados. Em diversas federais do país, os acordos com as empresas sanguessugas terceirizadoras não foram cobertos, e estas deixaram de pagar suas/seus trabalhadoras/es. A ameaça de não renovação de contrato, de redução de verbas para as próximas licitações já ameaça o emprego de milhares de terceirizadas/os pelo país. Declarações recentes[2] do recém-eleito reitor da UFRJ (maior federal do país) já coloca em xeque o orçamento das universidades a partir de Setembro.

Diante de tudo isso, as/os terceirizadas/os pararam. As/os estudantes, apoiadas nas suas históricas pautas (como bandejão e bolsas de auxílio) abraçaram a pauta das/dos terceirizadas/os e fizeram atos, ocuparam reitorias, como foi o caso da UFRJ e da União. Somado a paralisação das/dos terceirizadas/os, docentes de 18 universidades federais já pararam devido às péssimas condições de trabalho e ao anúncio de que o cenário só tende a piorar.

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Na UNIRIO, no dia 20 de maio, houve a assembleia geral das/os técnicas/os administrativos, no campus da reitoria, sendo deliberado greve e tendo a sua deflagração dia 28 de maio. No dia 25/05 ocorreu a assembleia geral dos/as professores/as, na qual a greve foi negada com uma diferença de 12 votos, sendo deliberado estado de greve. Os estudantes, em Assembleia Geral, realizada no dia 25 de Maio, deflagraram greve estudantil e estão ocupando o anexo ao bandejão que estava fechado sem utilização e a casa da bruxa, que é um espaço de convivência das/os estudantes da UNIRIO que foi fechado pela reitoria.  Com medo de que as/os estudantes ocupem a reitoria e que o movimento não se fortifique, o reitor aconselhou o cancelamento das aulas do CCH (Centro de Ciências Humanas s Sociais).

Na primeira semana de Junho, estão marcadas mais duas assembleias a das/os professoras/es e das/os estudantes da UNIRIO. A dos/as professores/as para indicar a entrada na greve e a dos/as estudantes para avaliar a greve estudantil.

Os estudantes não podem ser enganados. As consequências da crise não podem cair nas costas da educação pública, enquanto alguns setores continuam lucrando[3]. Enquanto a educação pública tem ajuste de 9 bilhões, a educação privada receberá mais de 15 bilhões para o FIES e a renúncia fiscal com o PROUNI ultrapassa 900 milhões. É no governo da pátria educadora que o orçamento é voltado para atender aos interesses do setor privado e cortar os direitos do setor público. Assim opera o Estado na sociedade capitalista: atende aos interesses dos burgueses e patrões, seja em sua forma ditatorial ou democrática.

 

Não abrimos mão!

  • Reabertura do bandejão Tarifa Zero!
  • Construção do novo prédio do CCH
  • Creche universitária
  • Concurso público para professores e técnicos administrativos
  • Assistência estudantil
    • Expansão das bolsas
    • Equiparação das bolsas com o salário mínimo

Referências:

[1] http://www.cartacapital.com.br/economia/ajuste-fiscal-governo-anuncia-corte-de-69-9-bilhoes-de-reais-do-orcamento-6830.html

[2] http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-05-09/situacao-e-de-crise-mas-o-que-fazer-com-alunos-diz-novo-reitor-da-ufrj.html

[3] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/05/1625227-bancos-privados-aumentam-lucro-com-juros-maiores-e-calote-estavel.shtml