Há um ditado que diz: “quem paga a banda, escolhe a música”. Olhando os dados divulgados pelo TSE, referente a origem das doações de campanha1 (ao menos, os recursos oficiais…) dos candidatos, constatamos algo assustador. Sempre na casa dos milhões de reais, as multinacionais da construção OAS e Odebrecht forneceram recurso para os três principais candidatos a presidência. O Itaú vem financiando o candidato do PSDB (Aécio), o Bradesco a candidata do PT (Dilma) e o Santander o PSB (Marina), sempre com recursos na casa dos milhões. Essa lista de financiadores é ainda maior, contendo administradoras de planos de saúde, mais bancos, mais construtoras, financeiras, empresas do ramo petroquímico, e etc. A tabela abaixo representa uma seleção das doações referente a segunda parcial (de um total de duas) das contas emitidas pelos candidatos a presidência e/ou seus órgãos de financiamento.

  PT/Dilma PSDB/Aécio PSB/Marina
Odebrecht R$ 3.000.000,00 R$ 3.000.000,00 R$ 1.570.000,00
OAS R$ 20.000.000,00 R$ 1.000.000,00 R$ 5.700.000,00
Braskem R$ 1.000.000,00
Andrade Gutierrez Construtora R$ 10.000.000,00   R$ 2.700.000,00
JBS S.A. R$ 15.000.000,00
MRV Engenharia e Participações S.A. R$ 1.000.000,00    
Vale R$ 1.500.000,00 R$ 500.000,00
Wtorre Engenharia e construções R$ 650.000,00    
Bradesco R$ 3.000.000,00 R$ 1.000.000,00
Itaú Unibanco   R$ 2.000.000,00  
Santander R$ 1.000.000,00
Votorantim   R$ 1.100.000,00  

Pela rápida análise da tabela já conseguimos responder quem, de fato, já é vencedor destas eleições: as poderosas multinacionais, ou seja, a burguesia.

As eleições nada mais são do que um circo onde se passa a falsa ideia de que estamos exercendo a mudança através da democracia. Reafirmamos que esta é a democracia burguesa, e a as fontes de financiamento de campanha só justificam o nosso pensamento, ou você acha que a OAS doaria quase 30 milhões de reais por mera filantropia? As diferentes empresas do país falam em crise, mas em tempos de eleição se apressam em “doar” milhões de reais aos diferentes candidatos.

O Estado e a sua disputa nada mais são do que a mesa de negócios da burguesia, em que ela utiliza suas ferramentas para se manter no poder. A sua manutenção passa pela exploração dos trabalhadores e tentar conciliar esta contradição nada mais é do que enxugar gelo: a contradição sempre estará lá, gritando, pronta para ebulir.

Dentro da democracia burguesa não existe e não existirá candidato que “responda aos anseios da classe trabalhadora”, por um motivo muito simples: não é através da democracia e das suas instituições (dentre elas o congresso) que acabaremos com a exploração dos trabalhadores. A burguesia já demonstrou o que faz quando se sente, mesmo que levemente, ameaçada pela sua própria ferramenta (o Estado), basta observar a ditadura militar no Brasil, a forte repressão ao movimento sindical do período anterior a 64 e, não indo tão longe, as absurdas prisões e processos judiciais a centenas de manifestantes durante e após as manifestações de Junho de 2013. Tudo isso é exemplo de como, quando lhe é conveniente, os dominantes jogam até mesmo a democracia e o tal estado de direito no lixo.

Deste modo, participar do processo eleitoral é cooperar com a democracia burguesa. É passar a falsa impressão aos trabalhadores de que conseguiremos implantar medidas avançadas (como a expropriação dos bancos, a taxação de grandes fortunas e tantas outras medidas agitadas pelas candidaturas da esquerda) através de pontuais candidaturas ao congresso.

Compreendemos que o momento atual é de direcionar nossa energia militante para o retorno às bases, para construção e consolidação de instrumentos que sirvam ao fortalecimento da luta dos trabalhadores, pois na luta é que reside o verdadeiro caminho para a libertação da exploração.

Por que votamos nulo? A resposta ao título do texto responde em parte esta pergunta: porque estas eleições já foram ganhas faz tempo pela burguesia, e as próximas também o serão: pois é no palco da democracia que a burguesia mantém o seu poder e ilude os trabalhadores através da “festa da democracia”.

Só a luta muda a vida.

Anúncios