Há exatos nove anos, acontecia uma ocupação na reitoria da Universidade Federal da Bahia. A pauta era local e, sobretudo, nacional: contra a Reforma Universitária, em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, e da ampliação do direito à educação a toda a sociedade, sem qualquer tipo de exclusão. Nessa reivindicação constava intrinsecamente a luta pela revitalização da universidade e pelo seu não sucateamento, decorrido para justificar privatizações; luta para que os estudantes pudessem ter refeições a preços acessíveis em restaurantes universitários; luta para que se tivesse mais professores efetivos e mais vagas; luta para que o plano de segurança da UFBA fosse efetivamente implementado pelo Reitor (na oportunidade Naomar Almeida); luta pela abertura a todos, ampliação e melhoria das nossas bibliotecas e a luta para que a educação continuasse a ser um direito assegurado a todos e não se tornasse um serviço, como pretendeu essa Reforma Universitária em curso na época.

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Cabe ressaltar que tal mobilização ganhou corpo a partir de manifestações anteriores realizadas pelos residentes e bolsistas de assistência estudantil, assim como na ocupação do prédio da Farmácia-escola, que durou metade do ano de 2006 e teve como motivo principal a incoerência entre o aumento da demanda por mais vagas em residências (assim como em creches, restaurantes, bibliotecas, etc) e a inércia e a insensibilidade do reitorado de Naomar para com o expressivo número de estudantes de todo o interior (e de outros estados) que são atraídos todos os anos para a UFBA, já que estamos no 5º estado mais populoso e um dos menos servidos por universidades públicas do país; e também em 2007, detonada pelas péssimas condições das instalações do então restaurante universitário do corredor da vitória que causaram, inclusive, um perigoso vazamento de gás e fizeram residentes e bolsistas alavancarem a ocupação da reitoria naquele ano para denunciar estes descasos e exigir respostas concretas em detrimento das constantes burocratizações que demonstraram que a via institucional não era suficiente, deixando claro que não estávamos tratando de um problema pontual e casual, mas de um problema estrutural na concepção de universidade que está posta e outra que necessitamos. Ambas as lutas foram fundamentais, por exemplo, para a conquista da única residência universitária da história da UFBA que foi projetada para tal finalidade, entregue ano passado. Hoje tais estudantes se veem novamente obrigados a lutar por avanços nos benefícios oriundos dessa (falta de) assistência – que são o mínimo de condições para sobreviver dentro da universidade –, que não atendem à comunidade como deveria. Como vemos, os problemas com a Assistência Estudantil na UFBA afetam cotidianamente a quem mais precisa dela.

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Como foi percebido em 2004 e também agora em 2013, a tentativa de se institucionalizar as pautas foi fracassada. Burocracias que são postas para obstaculizar tais reivindicações (CONSEPE, CONSUNI, reuniões fechadas com a reitoria etc.) mostraram-se mais uma vez ineficazes. As vias institucionais se esbarram continuamente em seus limites: atravancos e mais atravancos para se resolver fatos simples, porém que mexem na divisão financeira da autarquia, e por isso são tão silenciados e omitidos. A Magnífica Reitora, muito bem servida e alicerçada pelo atual DCE estático, faz vistas grossas e finge que nada está acontecendo, negligenciando o que vem se passando na Universidade Federal da Bahia nessa década de lutas, espelhando como o governo federal enxerga a universidade pública atualmente. Não quer dizer, contudo, que negamos absolutamente a via institucional, porém alertamos que levar o processo unicamente por essa via conduz todo o movimento à falência. É importante perceber que a ocupação do CPD já é uma forma de luta que mostra por onde podemos alcançar o que pautamos!

O atual movimento não deve mais esperar por soluções que virão de cima para baixo somente. Avaliamos que a política de Assistência Estudantil na UFBA é debilitada, porque vivemos numa sociedade desigual e assim o é também na universidade. Portanto, o Coletivo Contra Corrente apoia a luta dos residentes e bolsistas de Assistência Estudantil, afirmando que é instante, sim, de radicalização! Infelizmente está mais do que nítido que as instâncias burocráticas da UFBA não sabem atuar senão pela força de uma ocupação ou organização sólida de seus estudantes. Estaremos ajudando na construção do processo organizativo para conquistarmos incialmente as pautas aqui colocadas – referentes a melhorias na alimentação, transporte, hospedagem etc., todos com suas especificidades e desdobramentos – e depois o marasmo da política arcaica em nossa universidade.

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