HISTÓRICO
A Articulação Nacional (AN) começa a apresentar seu esboço no final de 2011, resultado da relação entre alguns coletivos do Movimento Estudantil: Além do Mito, Contra Corrente, Lutar e Construir, Outros Outubros Virão e um grupo de estudantes do Ceará – hoje, Resistência Socialista.
A demanda dessa articulação vem da análise de que esses coletivos teriam muito a contribuir uns com os outros com o intuito de potencializar a atuação e intervenção na realidade, além de socializar a formação teórica acumulada por cada coletivo.
A partir dessa relação, já tivemos alguns frutos importantes. Durante a greve nacional que ocorreu em 2012, lançamos duas edições do Além do Que se Vê, um jornal produzido pelos coletivos que compunham a AN. Esses jornais trazem nossa análise sobre a movimentação, bem como outros debates que fundamentam nossa ação. Além disso, em março de 2013, realizamos um Seminário presencial, para afinar alguns debates e sistematizar nossos acúmulos. A partir desse seminário, foi produzido o presente documento, que visa tornar pública a AN, bem como explicar o que nos une. Devemos salientar que aqui apresentamos sínteses sucintas de nossas concepções, que não devem dar conta de explicar a fundo cada um dos temas.

O QUE É A ARTICULAÇÃO NACIONAL
A AN é uma articulação entre coletivos do Movimento Estudantil que busca potencializar nossa organização, buscando alternativas de discussão e atuação para além das entidades nacionais que se colocam hoje. Fazemos a troca de debates, de formas de atuação, de análises e formulações, visando interferir de maneira conjunta e qualificada no ME nacional. É importante salientar que a AN não se propõe a ser uma entidade, mas um espaço qualificado de debate e aprimoramento das ações.

PRINCÍPIOS DA AN
A Articulação Nacional atua e se organiza a partir de quatro princípios:

1. Referencial teórico marxista utilizando o Método Materialista Histórico Dialético:
Para que tenhamos intervenções qualificadas e análises coerentes da realidade, precisamos nos utilizar de um método, o qual delineia nossa forma de ver e compreender o mundo. Avaliamos que o mais avançado para isso é o Método Materialista Histórico Dialético, a partir do qual pode-se compreender a realidade como histórica, determinada socialmente, datada e sempre em movimento. Além disso, a perspectiva marxista coloca a luta de classes como central para a compreensão do movimento da sociedade capitalista, fundamentalmente formada por duas classes antagônicas: burguesia e proletariado.

2. Concepção de Estado:
Compreendemos que o Estado é resultado da sociedade de classes e, em qualquer época, defende os interesses da classe dominante. Na sociedade capitalista, dividida em burguesia e trabalhadores – antagonicamente inconciliáveis –, o Estado desenvolve-se de diferentes maneiras, utilizando, em alguns momentos mais e em outros menos, de seus instrumentos para reprimir a classe trabalhadora. Entendemos que só o proletariado é a classe por excelência revolucionária, capaz de iniciar o processo que resultará em uma tomada violenta do poder, a destruição da estrutura do Estado burguês, a implementação da ditadura do proletariado, que cria as condições para o desaparecimento das classes e consequentemente o definhamento do Estado e a construção do Comunismo.
Para isso, avaliamos que as experiências que colocaram a disputa do Estado burguês como meio estratégico demonstraram que essa via leva a derrotas da classe trabalhadora, que, ao invés de culminar na ruptura revolucionária, apresenta-se como forma de conciliação de classes, submetendo o proletariado aos interesses da burguesia. Além disso, é uma questão de princípio não disputar o Estado burguês (não acreditamos que essa disputa seja possível), mas não é um princípio não utilizar de alguns meios, como a via eleitoral, para divulgação do programa socialista. Essa questão deve ser parte da análise de conjuntura e elaboração da estratégia e das táticas em cada momento concreto.

3. Análise do ciclo e perspectiva de superação do Projeto Democrático Popular (PDP):
Compartilhamos da análise de que a esquerda brasileira hoje reproduz uma forma de militância que precisa ser superada. Essa forma, em que expressa um conteúdo reformista, afasta os movimentos de uma perspectiva de superação dessa sociedade, e é fruto do último ciclo de lutas da classe trabalhadora construído através do desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores (e suas expressões no Movimento Sindical e Estudantil – CUT e UNE, respectivamente) num movimento de distanciamento da base e entrada no aparelho do Estado. Esse desenvolvimento contém em si as contradições da classe no momento histórico em que ocorreu e mostra o caminho que hoje avaliamos como desviante de nossa luta principal.
Nossa avaliação é que a reprodução de uma militância em que se faz pelos estudantes apenas, deixando-os como meros seres votantes, que escolhem seus representantes, educa-os a não se mobilizarem e atuarem coletivamente. Herdeiros que somos desse ciclo, o submetemos à crítica e buscamos superar o afastamento da base, o personalismo, o tarefismo, a agitação vazia de conteúdo, a falta de estudo, entre outros, tão característicos da forma como somos socialmente formados para a militância.

4. Concepção de Movimento Estudantil (ME):
Entendemos o ME como setor policlassista e a universidade como reprodutora das relações capitalistas, mas que ainda nos possibilita atuar no sentido de avançar na consciência de classe, ligando as pautas do ME à realidade da luta de classes. Os estudantes devem ser aliados da classe trabalhadora e atuar no ME compreendendo que ele não deve ser um fim em si mesmo.
O ME, então, deve cumprir o papel fundamental de fomentar a formação de novos quadros comunistas, por ser um espaço de experimentação, de enfrentamentos e que expressa as contradições do capitalismo.
Nesse sentido, pautamos a necessidade da atuação no ME ser associada à organização e ao processo de reorganização da classe trabalhadora, para não cairmos no erro de uma luta fragmentada da classe, nem lutarmos apenas por melhorias reformistas na Educação.

SOBRE A PARTICIPAÇÃO NA AN
A participação de novos coletivos na AN se dará a partir de debates internos dos coletivos que a compõem a partir dos seguintes critérios:
– Atuação no Movimento Estudantil que paute sua reorganização, priorizando o trabalho de base.
– Concordância em que a AN atue de acordo com seus princípios.
O afastamento de coletivos da AN se dará com base na discussão e avaliação interna da AN a partir da análise dos princípios, dos critérios e da organização interna.

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