Texto da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora

O Capital com a devida operação do Estado no governo democrático e popular tenta ocultar o avanço das lutas no Brasil dos últimos dois anos: aumento do número de greves reivindicando mais salários e melhores condições de trabalho, ampliação dos direitos – das grandes multinacionais, obras do PAC, da Copa, nas usinas hidrelétricas à servidores que devidamente prenderam o prefeito de Juazeiro do Norte no banco por ter reduzido seus salários. O Capital e seu Estado tenta reduzir essas lutas em manifestações corporativistas e fragmentadas. E para as mobilizações dos últimos dias tentaram alçar o espaço virtual que agiliza as convocações: como o “grande organizador horizontal invisível”.

Fora do espaço do trabalho, a maioria que precisa dos serviços públicos, da saúde à educação vive a mesma situação de antes do governo democrático e popular: o acesso é cada vez menor e cada vez mais precário. Além disso, o pedaço onde quem é trabalhador mora é destruído para passar as obras dos ‘grande eventos’, indígenas são tratados como “um problema”, que impede o avanço da agroindústria no Brasil.

Por mais que nossa classe tenha se endividado para comprar um carro, a maioria de nós precisa do transporte coletivo, principalmente para trabalhar e nos últimos dias a mobilização contra o aumento da tarifa colocou estudantes, mas também milhares de trabalhadores em movimento.

Trabalhadores que a partir de muita propaganda ideológica do Capital e seu Estado na expressão do governo democrático e popular do PT, se movimentam como se fossem apenas indivíduos, descolados de sua classe. Exigindo a cidadania, que nada mais é do que o espaço criado pela e para a burguesia, como se fosse um espaço de todos quando na verdade é mais um instrumento para atender os exclusivos interesses do Capital.

A dura jornada, as condições de trabalho e de vida pioram. A violência de Estado nas periferias (que em São Paulo é a principal política pública da Opus Dei de Geraldo Alckmin), a ausência do básico nos serviços públicos se extravasou numa boa e devida, mesmo que não consciente, raiva de classe: o aparelho repressor do Estado agrediu quem estava dentro e quem estava fora apoiando a mobilização. Centavos a mais é muito para quem recebe por sua força de trabalho um salário que é necessário fazer escolhas, entre andar mais a pé ou diminuir a alimentação.

Nada melhor para a sociedade do Capital que se acredite que ninguém está entendendo nada. Do que está acontecendo

As mobilizações que se iniciaram pelo Movimento Passe Livre (MPL) movimento que se organiza há 08 anos principalmente por estudantes em várias cidades do país e que desde o inicio não recusou e contou com o apoio de outras organizações, cresceu em solidariedade, como em participação ativa, principalmente a partir da violência de Estado praticada novamente no dia 13 de junho na cidade de São Paulo.

Ao ver que o pavio aceso, já não podia ser escondido, o Capital colocou sua pequena burguesia para trabalhar, principalmente nos meios de comunicação: hostilizar qualquer identidade organizada de classe, acompanhada de um nacionalismo ainda restrito ao hino e a bandeira, mas o principal: tentar impor que são indivíduos de forma horizontal que se auto-organizam negando qualquer organização. Junto a isso a ação combinada do Estado na expressão do governo federal, com Dilma dizendo que é preciso ouvir a voz das ruas e correndo para se reunir com Lula e Haddad para revogar o aumento da tarifa do ônibus. E Alckmin para não ficar só com o ônus da repressão também revoga o aumento dos trens, tudo isso na tentativa de conter, o pote que transbordou.

Acompanhado a isso muitos “estudiosos” das expressões e relações humanas registram suas dificuldades ou suas conclusões para entender o que acontece. Organizações e partidos que se auto proclamam a direção necessária para a classe tentam esconder que estão afoitos entre a hostilização contra si orquestrada não pelos anarquistas como teimam em destacar, mas principalmente pela burguesia, e atônitos em saber como participam com o objetivo muito mais oportunista do que estratégico nas manifestações, o que se expressa em suas análises e convocatórias para as mobilizações.

Propaganda ideológica, repressão oficial e tentativa de cooptação travestida de recuo. Tudo vale para tentar conter a explosão

Enquanto em várias cidades do país a polícia seguiu reprimindo e criminalizando, em São Paulo no inicio da semana de 17 de junho se fingiu desarmada e ausente. Para depois voltar guardiã dos meios privados pichados, depredados e saqueados. A tarifa, fruto das mobilizações, voltou ao que era antes nos principais centros econômicos como São Paulo. Os meios de comunicação por onde os representantes do Capital se manifestam “clandestinamente” valorizam essa conquista como também tudo aquilo que não trará consequências graves ao funcionamento dessa sociedade, ou seja: combate a corrupção, paz de cemitério, tudo isso pode e deve ser estimulado.

Nossa tarefa é, sem arredar um passo de nossa estratégia, contribuir para que a classe trabalhadora se enxergue e assim potencialize a luta.

Participamos das mobilizações não nos pautando pelo oportunismo dos que tentam um lugar para se impor como direção, muito menos nos submetermos a pauta imposta pela burguesia e praticada pelos setores médios da sociedade presentes nas manifestações dos últimos dias. Sem arredar um passo do nosso enfrentamento nos locais de produção e circulação do Capital, estamos nas mobilizações das ruas para contribuir que o pavio aceso siga seu trilho e, principalmente para contribuir que os trabalhadores, reduzidos a indivíduos se encontrem como classe trabalhadora.

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