Nessas ultimas semanas a juventude voltou a experimentar o gosto de se rebelar contra a ordem social vigente. O motivo inicial foi o aumento da tarifa de ônibus em SP. O plano de fundo é um país às vésperas de um evento internacional, a copa do mundo. A conjuntura política é um governo que conseguiu cooptar as organizações de classe, e implantar a ideologia de que é possível a conciliação entre explorados e exploradores. E o cenário econômico é um país que em oito anos de governo Lula retirou sistematicamente direitos historicamente adquiridos pela classe trabalhadora, um arrocho salarial, programas compensatórios de aparente distribuição de renda, uma inflação sempre crescente, enfim, foi a perda de qualquer possibilidade de controle social da economia no país.
É nesse contexto que as mobilizações são puxadas, vale ressaltar que de forma bastante espontânea, desconhecendo a historicidade das lutas sociais no país, bem como quais os caminhos que os governos encontram para reprimir essas lutas, assim como saber discernir aliados de inimigos históricos. Tal é a inocência, que a juventude pautava como fundamental a passividade do ato. Como esperar passividade de uma sociedade baseada na violência? Como esperar passividade de uma polícia preparada e armada para conter manifestações? O fato de se manifestar já é por si só um ato de violência. Violência contra a ordem social vigente. Violência contra uma classe social que se apropria privadamente das riquezas socialmente produzidas. Afinal o que significa um ônibus queimado, uma porta estilhaçada, frente a rios de dinheiro que correm do Estado para os bolsos dos empresários? Obviamente não defendemos o quebra-quebra como princípio! Entretanto, queremos colocar que esses fatos necessariamente ocorrerão em manifestações populares organizadas de forma espontânea, afinal de contas é o símbolo de opressão mais acessível aos manifestantes.
Como a luta nasceu de forma espontânea, abre espaço para a disputa das pautas do movimento. Tanto é assim que a grande mídia burguesa percebe tal fragilidade do movimento e começa a dirigí-lo em suas pautas e ideais. Como o fortalecimento do pensamento anti-partidário, o fortalecimento de pensamento ultra-nacionalista que leva necessariamente a construção de regimes fascistas. A construção da ideia de que o movimento é contra a corrupção, colocando a corrupção como causa básica da desigualdade social, o que é mentira! Entretanto, a história não está dada, a esquerda organizada tem a obrigação de disputar o movimento, e inserir perspectivas que visem retomar a consciência de que a organização política é necessária para enfrentar a burguesia.
Dessa maneira, queremos colocar de forma bastante explícita, que esse movimento não mudará o Brasil! Podemos conseguir arrancar do Estado melhorias sociais pontuais. Entretanto, da forma como está configurado, jamais conseguiremos superar a ordem social do capital. Tal movimento carece da participação duma classe essencial para o processo de superação da ordem social burguesa, o proletariado. O fato da classe proletária não estar presente, limita nossas reivindicações a questões pontuais, que podem ser resolvidas dentro da ordem burguesa. Não seremos estudantes, nem jovens, para sempre. Possivelmente parcelas de nós teremos a necessidade de nos tornar trabalhadores assalariados. É necessariamente agora que devemos despontar, novamente, para a necessidade de estarmos organizados politicamente, pois no futuro estaremos inseridos num contexto econômico mais global, e veremos que a luta para a superação da sociedade capitalista é a luta contra a reprodução do capital.
Tais constatações não brotam da contemplação passiva do mundo. Surgem de uma visão crítica, baseada numa perspectiva científica, que visa entender o movimento das relações sociais sobre um plano de fundo econômico, ou seja, como que no movimento histórico da humanidade chegamos até aqui? Com isso perceberemos que o capitalismo não é o fim da história humana. Para nós, a perspectiva teórico-metodológica que consegue responder a tais problemas, são os estudos elaborados por Marx e Engels. Devem ser esses estudos, e outros pensamentos que deles derivem, que devemos nos debruçar em entender, e com isso entender como conseguiremos superar o capital.
Sendo assim, o sentido de nossa luta deve ser o de conseguir arrancar do estado-burguês conquistas para a classe trabalhadora, de modo a demostrar a força potencial que possui a classe e estarmos organizados politicamente de modo a contribuir com a organização da classe proletária, em classe para si, ou seja, na construção duma consciência revolucionária no seio do proletariado. Avante companheiros na luta pela emancipação humana. Passo firme rumo a revolução.

Salvador, 20 de junho de 2013
Coletivo Contra-corrente

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