Esta nota, construída por nós, do Coletivo Contra Corrente (CC), tem como intuito convidar os docentes e discentes da UFBA e das UEBA’s (universidades estaduais da Bahia – UNEB, UESC e UESB) para participarem das atividades desenvolvidas ao longo dessa semana.

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Antes, é necessário lembrar que já não é de hoje que existem mobilizações de diversos setores contra os ataques que precarizam a educação pública. O projeto neoliberal tem sido implementado, a partir das recomendações do Banco mundial, desde o governo Collor/Itamar, passando por FHC, Lula e Dilma – o que está em jogo não é mais um projeto de governo, mas uma política de Estado em que os principais objetivos são a redução do custo do Estado com a educação público a partir da privatização e da terceirização da educação pública e a reoxigenação de setores privados a partir do investimento do Estado. Essa política afeta o trabalho docente, a qualidade da formação, a assistência estudantil e é responsável pelas estruturas precárias das universidades – essas são características da precarização da educação.

É necessário entender também que, no período da greve, 2012, os docentes da UFBA conseguiram construir grandes assembleias, com discussões qualificadas e com a participação de muitos docentes – nesse período, vivenciaram as dificuldades de organização dos docentes por conta de um hiato de mobilizações e enfrentamentos das políticas neoliberais do governo. Além dos problemas enfrentados pelas recentes ausências de mobilizações, tiveram que enfrentar uma diretoria extremamente atrelada ao governo que, em vez de defender os interesses dos docentes, defendiam e manipulavam decisões para a defesa do projeto do governo. Aí está colocada uma perspectiva cupulista dos sindicalistas burocratas em que as maiorias devem se submeter às direções representativistas sem que haja nenhuma forma de discussão mais ampla sobre as condições de trabalho e o projeto de educação que está sendo implementado pelo governo. A velha forma foi combatida por docentes dos mais diversos cursos até culminar na destituição da gestão da APUB, ‘ligada’ ao PROIFES em assembléia geral. Após a greve, o grupo de oposição construiu uma chapa para eleição da nova gestão e não foi eleita. A nova gestão da APUB, de nova não tem nada – é o velho trajado de novo.

Não se pode retomar o hiato organizativo dos docentes por causa da disputa do instrumento APUB; a oposição apontará uma reorganização do movimento dos docentes e construir atividades com o intuito de fazer com que os próprios docentes possam tomar os rumos de seu processo de organização, discutindo o que representa a proposta de carreira docente do governo, atreladas às políticas neoliberais do Estado. Diante disso, a oposição sindical, UFBA VIVA, desenvolverá atividades de discussão e mobilização dos docentes que acontecerão no dia 29 de maio (quarta-feira) a partir das 15hrs na faculdade de arquitetura, com a participação da ANDES e do Prof. André Vasconcelos (UFC) e do Prof. Ricardo Antunes (Unicamp).

Uma realidade bem parecida tem sido vivenciada pelos docentes das UEBA’s. Em campanha salarial desde o final do ano passado, convivem com o descaso do governo e com a participação de poucos docentes nas movimentações. O movimento docente das universidades estaduais tem se colocado contra a política de sucateamento do ensino superior na Bahia, visível no pouco investimento do governo do Estado nas universidades estaduais (mesmo em um momento de recorde de arrecadação do Estado, mostrado com grande entusiasmo na mídia), nas condições precárias de muitos campi, na deficiente assistência estudantil, na terceirização cada vez maior de alguns cargos da universidade e no rebaixamento dos salários dos docentes, que está entre os piores do nordeste. Depois do silêncio de meses por parte do governo do Estado e das rodadas de negociações frustradas, os docentes das UEBA’s acentuam as movimentações e declaram estado de greve. Com paralisação no dia 28 de maio em todas as UEBA’s e com uma aula pública nesse mesmo dia na Assembleia Legislativa da Bahia (em Salvador) com o tema “Transformismo do PT” seguida de uma audiência pública, os docentes das UEBA’s conclamam todo o corpo docente e discente das estaduais da Bahia a construírem esse movimento contra as políticas neoliberais na educação do nosso estado.

Entendemos a necessidade de nos juntarmos aos docentes da UFBA e das UEBA’s, ajudando na apresentação e divulgação das atividades desenvolvidas. Esperamos que os estudantes e docentes entendam a importância de lutar contra um projeto neoliberal de educação em que a precarização, terceirização e privatização estão na ordem do dia.

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Pela defesa de uma universidade pública, gratuita de qualidade e a serviço dos trabalhadores!

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