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A implementação da REUNI na Universidade Federal da Bahia trouxe problemas que afetam não somente a um curso em uma universidade, mas a todos os cursos das universidades federais do país. O REUNI representa mais do que uma dificuldade de implementação na UFBA – representa um projeto de educação mercantilizada, de viés neoliberal, em que a centralidade está na redução dos custos do Estado com a educação superior e diversos outros serviços básicos para a produção e reprodução da vida como a Saúde.

Para se ter uma noção do que representa esse projeto neoliberal de educação, a partir do estudo de Leher (2010), observa-se uma redução do custo por estudante de 9,7 mil por ano para 5,0 mil por ano, em apenas 6 anos – uma redução de 50% – algo igual aconteceu nos países da Europa, mas lá demorou mais de 20 anos para se implementar (diferente daqui). Ao mesmo tempo em que as universidades, como a UFBA, recebem uma ajuda financeira para aumentar sua estrutura, número de docentes e de estudantes, é necessário cumprir com duas principais metas que afetam a formação de TODOS os estudantes da UFBA: 1) formação de, no mínimo, 90% dos estudantes que ingressam no curso; 2) mudança da relação do número de professores para o número de estudantes (antes a relação era de 12 para 1 e meta é atingir 18 para 1). A primeira meta ‘força’ as universidades a mudarem seu sistema de avaliação e estabeleceram quase uma ‘aprovação’ imediata – não é a toa que a UFBA, entre outras medidas, aprovou a redução de sua média. A segunda meta é fazer com que o número de docentes, em relação ao número de estudantes, atinja uma média similar a de faculdades privadas bem no estilo ‘fábrica de diplomas’; isso faz com que os docentes tenham mais trabalhos de ensino, deixando de construir atividades de pesquisa e de extensão. Em síntese, a meta é aprovar o máximo de estudantes em vez de produzir conhecimento e formar profissionais para atuar com qualidade na sociedade. Ao mesmo tempo, não há contratação de docentes e servidores técnico-administrativos suficientes para a demanda do aumento de estudantes e nem há construções de salas de aulas e laboratórios.

No curso de fonoaudiologia, os problemas se repetem quando observamos a realidade de outros cursos: faltam sete professores, fazendo com que uma série de disciplinas não possam ser ofertadas. Se houvesse esses professores, faltaria ainda sala de aula para efetivação dessas disciplinas já que estão faltando espaços para execução das aulas no ICS. Os problemas que afetam ao curso de fonoaudiologia são muito parecidos com os problemas que afetam ao curso de fisioterapia, ou seja, faltam docentes, salas de aula e laboratórios.

BANCO MUNDIAL + GOVERNO SUBMISSO

Entendendo os problemas do REUNI e da reforma universitária, historicamente, os estudantes da UFBA já se colocaram em luta contra as políticas neoliberais: isso aconteceu em 2004, nas mobilizações contra a Reforma Universitária; em 2007, na ocupação da reitoria contra a implementação do REUNI; em 2011, nas mobilizações causadas pela falta de docentes e de estrutura em São Lázaro e na UFBA em geral; e, mais recentemente, em 2012, na greve construída pelas três categorias (estudantes, servidores e docentes).

A partir do momento que entendemos que as mobilizações de Fonoaudiologia e de Fisioterapia são resultadas do processo de precariedade da universidade, defendemos também a necessidade de apoiar a organização e luta dos estudantes do ICS, principalmente de Fonoaudiologia e de Fisioterapia que lutam pela melhoria do seu curso e pela qualidade de sua formação. Acreditamos que a solução dos nossos problemas está na participação e luta dos estudantes por uma educação de qualidade e por isso nos somaremos a essa luta e convidamos a todos os estudantes para se juntarem a essa causa, defendendo uma universidade pública, gratuíta e de qualidade.

16 de maio de 2013

Coletivo Contra Corrente

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