Enquanto diversos cursos da universidade realizam assembleias para apoiar a greve dos professores, para indicar e deliberar por uma greve estudantil em torno de seus próprios problemas, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) faz de tudo para impedir que o debate se espalhe pela universidade, usando de sua estrutura burocrática e sob o véu da neutralidade.

Na Assembleia geral dos estudantes do dia 15 de Maio, o DCE rebolou para evitar que os estudantes ali presentes tirassem um indicativo de greve estudantil e, no comando de mobilização, continua a se posicionar da mesma forma.

O indicativo de greve é uma forma de colocar o debate sobre a greve estudantil em pauta. Ele não significa que os estudantes estão em greve, apenas que eles irão debater a questão para se posicionar em uma assembleia futura, podendo nessa assembleia entrar em greve ou não. Esse mecanismo existe para que os próprios estudantes debatam e decidam suas próprias questões, e não meia dúzia de estudantes encastelados na sede do diretório.

Os estudantes que propuseram indicativo de greve na assembleia foram acusados de estar impondo uma greve estudantil goela abaixo dos estudantes da universidade. Ora, quem está tentando impor alguma coisa é o próprio DCE, ao não permitir que o assunto sequer seja debatido.

O diretório, se fosse democrático, já teria soltado um jornal sobre o tema, teria divulgado em seu site, já estaria sistematizando uma pauta de reivindicações e construiria o debate junto aos estudantes, mas não, se contenta em falar em nome dos estudantes, quando esses querem falar por si próprios!

Comando de Mobilização

A assembleia geral criou um comando de mobilização, responsável por incentivar assembleias nos cursos. Nós, junto a outros coletivos e estudantes independentes, viemos cumprindo essa tarefa apesar dos esforços do DCE de obstaculizar esse processo.

Durante as reuniões do comando, os membros da atual gestão do DCE tentam a todo momento impedir o debate sobre greve, depois das reuniões distorcem as deliberações que poderiam ajudar na construção do debate e tratam com desrespeito esse espaço criado pela assembleia dos estudantes.

A próxima assembleia foi convocada pelo DCE no local e horário que mais lhe agradava ao invés de demandar esforços para o local que o comando tinha avaliado como mais viável para a participação dos estudantes, por ser no centro, onde o acesso é melhor. Além disso, mais uma vez não convoca a assembleia para debater o tema de uma possível greve estudantil, querendo com isso calar o rico processo que se desenvolve em sua base – as assembleias dos cursos.

Mas a burocracia não triunfará!

Colegas, atentem para o posicionamento político do DCE e de outras entidades burocratizadas que procuram impedir o debate franco entre os estudantes. Os cursos que ainda não realizaram assembleia podem e devem pressionar seus centros acadêmicos que também tentam calar ao simplesmente não convocar assembleias e nem colocar o assunto em debate!

Os estudantes do curso de Medicina e Psicologia já deflagraram greve. Estudantes de outros cursos como Ciências Sociais, Direito, Engenharia Elétrica, Engenharia Florestal, Engenharia Química, Filosofia, Geografia e História tiraram indicativo de greve, e outros como Biologia, Arquitetura e Biomedicina tem assembleia marcada para discutir a mobilização estudantil.

Debata você também em seu curso! Vamos levar nossas pautas à Assembleia Geral dos Estudantes da UFPR e garantir que ela seja realizada sem o entrave dos burocratas-representantes do movimento estudantil!

Do blog: http://outrosoutubrosvirao.wordpress.com/

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