Cara colega Elza Peixoto e demais companheiros do APUB-luta,

O meu texto é interpretativo, ou seja, não estava me referindo a cada linha da sua comunicação, mas buscando entender a conjuntura e as conseqüências dos atos da APUB-luta. Por isso continuo acreditando que essa discussão de base/liderança, implica sim na teorização da acumulação de forças (não necessariamente aparece em seu texto, mas a encontramos em manifestações de vários colegas). Parece-me que temos em comum o fato de partimos da dialética e pensarmos na contradição trabalho/capital. Mas afora isso discordamos bastante sobre as organizações, base, encaminhamento da luta, PROIFES/APUB, ANDES-SN-Secções sindicais. Se a história tem mostrado a necessidade da unidade da classe contra as ofensivas do capital, creio que ela também mostra as contradições internas da classe trabalhadora, sobretudo em momentos que amplos setores “dirigentes” da classe aderem ao capital, aos governos, às direções estatais e tornam-se auxiliares da dominação. Se de fato pensarmos dialeticamente, não podemos admitir a existência de nenhuma organização permanente, todas elas são fruto da lutas classes trabalhadoras (ou de contra-movimentos da ordem burguesa) e podem sim perecer, seja por conta de tornarem-se historicamente anacrônicas ou devido ao apodrecimento interno de suas estruturas completamente alteradas em função da adesão ao capital.

No caso do PROIFES, a coisa ainda é mais grave, pois se trata de um organismo construído com apoio do governo para destruir o sindicato (esse sim) construído pela base. Logo, não me parece adequado considerar este órgão de governo, esta cunha no seio do movimento docente, como organismo de classe. Já no caso da APUB, reconhecemos que tem uma longa história de luta, mas nos últimos oito anos, as sucessivas direções traíram a luta, modificaram a estrutura do sindicato, tornando-o um aparelho impeditivo da luta docente. A UFRB sabiamente compreendeu isto e criou a secção sindical do ANDES-SN. A UFBA precisa sim livrar-se deste entulho, ou deixá-lo como uma entidade lítero-recreativa e construir um novo instrumento de luta.

Repito, dialeticamente nenhuma estrutura é permanente, todas são transitórias, da mesma forma que não existe classe definitiva todas serão superadas pela história, inclusive a classe trabalhadora. Se fosse correta essa posição de estruturas permanentes, o movimento operário não teria conhecido quatro internacionais distintas, produto da ruptura com estruturas arcaicas e comprometidas com o capital material e ideologicamente, o movimento social também não teria criado os sovietes (URSS) que não obedeciam às estruturas partidárias e sindicais, como também não veríamos o explodir de movimentos sociais na contemporaneidade e até mesmo o surgimento da CUT ”hoje comprometida até a medula com o Estado” (todos essas novas estruturas não respeitarem as ?estruturas permanentes?) e não estaríamos nos dias de hoje pondo em cheque as próprias estruturas partidárias que se dizem representar a classe operária. Entendo que a unidade que precisamos,no âmbito da Universidade, é a dos docentes para enfrentar o arrocho salarial e a crise atual, isso não implica em respeito aos aparelhos sindicais. No limite acredito que se o ANDES-SN tivesse postura semelhante à da APUB/PROIFES devêramos avançar o sentido de não respeitá-lo enquanto representante da categoria, no entanto, é patente que o ANDES-SN é única entidade que dá continuidade à luta histórica dos professores universitários. A APUB abandonou o ANDES-SN, em função de manobras de gabinete, fraudes, pressão da instituição sobre os docentes etc. De fato (na prática) a APUB não guarda mais relação nem com sua história, nem com o ANDES-SN, e não devemos apostar na justiça burguesa para reaver o estatuto anterior da APUB.

Logo, pregar a unidade dos docentes contando com a participação dos aparelhos é, sim, equivocado. Como vc destaca a unidade deve ser pela ?base?, logo devemos convocá-la com os meios que dispomos (regional do ANDES-SN ou mesmo um grupo de docentes), fazer a discussão franca e aberta, sermos coerentes, o que implica em dizermos abertamente só haverá greve na UFBA se não respeitarmos o aparelho da APUB/PROIFES, se não nos submetermo-nos a fóruns viciados e atrelados à administração pública, se construirmos um espaço independente de discussão e deliberação.

Por fim, insisto, a estratégia utilizada até agora, desconhece que os docentes estão bastante insatisfeitos, predispostos à mobilização, é preciso atentar para os sinais que vem da Universidade, como, por exemplo o dia de paralisação convocado pelo ANDES-SN, na UFBA muitos docentes pararam mesmo sem nenhuma deliberação local, o que indica, queiramos ou não, respeito ao ANDES-SN. Ao apontar como caminho as AG´S da APUB, a APUB-luta represa esta energia, e fortalece (novamente informo que se trata de minha interpretação) o aparelho sindical pró-estatal, não contribuindo, apesar de todas as boas intenções, para reerguer o movimento docente na UFBA e fortalecer o sindicato de luta (O ANDES-SN).

Fraternamente,

Antônio da Silva Câmara

Do blog: http://osaciperere.wordpress.com

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