É com muito prazer e respeito que escrevemos esta carta aos camaradas do Coletivo Contra Corrente – Salvador/BA. Principalmente porque, este momento que vivemos, é o momento crucial na reorganização do movimento estudantil (M.E) e da esquerda brasileira. Há aqueles que acreditam que não estamos passando por um processo de reorganização do ME. Destes, discordamos claramente. Há outros, que enxergam neste processo um problema sério de direção política. Também discordamos. Para nós, do Coletivo Nacional Barricadas Abrem Caminhosa reorganização do movimento estudantil teve seu momento paradigmático com a subida do Governo do PT ao poder. Ali, foi colocada para a classe a possibilidade de caminhar rumo as conquistas dos trabalhadores. Mas não foi isso que aconteceu nem o que vem acontecendo. O projeto político tocado pelo PT nada junto ao interesses do capital, oprimindo a classe e a sua juventude.

A Reforma Universitária do Governo Lula imposta nas Universidades Públicas Federais veio de contramão às reformas que o movimento de educação sempre pautou. Para o Movimento Estudantil Nacional era necessário ir às ruas para combater tal projeto e reafirmar à sociedade a universidade que queremos: Pública, Gratuita e de qualidade. Por outro lado, a ferramenta nacional dos estudantes (UNE) que, diga-se de passagem, já vinha traçando o caminho do governismo e da burocracia há tempos, se posicionou claramente a favor da Reforma e consequentemente, contra as greves, paralisações e mobilizações estudantis que ocorreram em 2007/2008 na tentativa de barrar o Reuni. Não conseguimos o que queríamos. Mas, ficou claro para o movimento estudantil que a luta se faz por fora da institucionalidade, através da ação direta e da desobediência civil.

Para nós, não há condições reais de retomar a UNE para o campo combativo, assim como acreditam alguns setores. Porém, os seus fóruns ainda atraem estudantes (em sua maioria de universidades particulares) que só tem como referência política a UJS/PCdoB. Para tanto, compreendemos que é necessário levar para estes fóruns uma outra concepção de ME, que denuncie o governismo e a farsa da UNE e convoque os estudantes para a luta diária em defesa da educação.

Por outro lado, fazemos a avaliação de que o processo de reorganização do ME não se dá somente pela construção de uma nova entidade e/ou discussão superestrutural da ferramenta (UNE x ANEL), mas principalmente pela aglutinação de setores que estão contra o processo de reconfiguração do mundo do trabalho e da educação. É o momento de buscarmos a unidade política através das ações concretas, das formulações em conjunto e das discussões fraternas. É momento da unidade na luta.

Para nós, é muito gratificante receber o convite dos/das camaradas do Coletivo Contra Corrente para contribuirmos com os debates políticos que serão travados neste fim de semana, de 6 a 8 de maio de 2011. Infelizmente, não tivemos condições materiais e pessoais para enviarmos militantes para participar do seminário, porém escrevemos esta humilde carta para, primeiramente, agradecer o convite e deixar claro que coletivos estudantis como o Contra Corrente são essenciais no processo de reorganização do movimento estudantil.

Nós, do coletivo nacional Barricadas Abrem Caminhos, estamos dispostos a estreitar os laços de unidade com as companheiras e companheiros do coletivo na construção de outros espaços que possam contribuir com a luta do ME. De antemão, deixamos aqui, a possibilidade de fazermos um seminário para aprofundarmos e formularmos em conjunto análises sobre a educação e restruturação do mundo do trabalho. Recentemente, montamos um núcleo na cidade de Cachoeira (BA) o que pode facilitar o contato entre o Barricadas e o Contra-Corrente.

Por fim, desejamos um ótimo seminário de formação a todas e todos e dizer que estamos firmes na luta, em defesa da educação, caminhando Contra Corrente,montando Barricadas e abrindo caminhos para um sociedade livre, justa e socialista.

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